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5 Curiosidades sobre a Assembleia Geral das Nações Unidas

No ano em que celebramos os 75 anos das Nações Unidas, a pandemia da covid-19 tem dominado o foco e o trabalho da organização.

O que significa isso para a Assembleia Geral da ONU?

As novas medidas de prevenção da covid-19. Fonte: UN Photo/Eskinder Debebe

 

A 75.ª Assembleia Geral das Nações Unidas (AGNU) começará no próximo dia 15 de setembro e, pela primeira vez na história da organização, terá um formato bastante diferente. Os corredores da sede da ONU, em Nova Iorque, estarão praticamente vazios e a maioria dos líderes mundiais farão as suas intervenções virtualmente, a partir dos seus países. Todo o aparato político e diplomático a que a cidade está habituada todos os anos irá ser substituído por uma acalmia invulgar — no entanto, a diplomacia global e os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável continuarão a ser os temas centrais do encontro.

Mas, então, quais irão ser as diferenças mais evidentes?

1) Os discursos dos chefes de Estado e de Governo

Sua Excelência Prof. Dr. Marcelo Rebelo de Sousa, Presidente da República Portuguesa, durante o seu discurso na 73.ª Assembleia Geral da ONU, em 2018. Fonte: UN Photo/Cia Park.

O centro de todas as AGNUs é, sem dúvida, o Debate Geral, que começa a 22 de setembro, uma semana após a abertura oficial. Esta ocasião única junta chefes de Estado e de Governo de todo o mundo, que escolhem os temas que querem partilhar com a audiência global.

Este ano, devido à pandemia, os líderes mundiais não se irão deslocar a Nova Iorque, tendo sido convidados a gravar e enviar as suas mensagens em vídeo, que posteriormente irão ser difundidas em direto. Adicionalmente, os representantes diplomáticos em Nova Iorque irão estar fisicamente presentes, para introduzirem os discursos de cada Estado-membro. No entanto, qualquer líder mundial tem o direito de se apresentar e fazer o seu discurso presencialmente, se assim o entender.

Descubra mais sobre a primeira UNGA virtual aqui.

2) Celebrar 75 anos

A Organização das Nações Unidas foi estabelecida em 1945, e está a celebrar o seu 75.º aniversário com o que o secretário-geral, António Guterres, apelida de diálogo alargado entre pessoas de todo o mundo, que “promete ser a maior e mais abrangente conversa global sobre a construção do futuro que queremos”.

No dia 21 de setembro, a sede da ONU irá albergar um evento (que também acontecerá online e remotamente) que tem como objetivo “renovar o apoio pelo multilateralismo”, algo que se assume como preocupante numa altura em que a pandemia da covid-19 está no centro do debate mundial. Espera-se ainda que o secretário-geral faça um discurso no evento de Alto Nível, presencialmente, para marcar o 75.º aniversário no plenário da AGNU.

Saiba mais sobre o papel dos jovens na construção do futuro da ONU aqui.

3) Transformar o mundo através do Desenvolvimento Sustentável

“2030 é agora”. Fonte: UN Photo/Loey Felipe.

Os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) — definidos a nível internacional com o objetivo de reduzir a pobreza e manter a paz, e ao mesmo tempo proteger o planeta — permaneceram no topo das prioridades da ONU em 2020. Segundo a vice-secretária-geral das Nações Unidas, Amina Mohammed, a pandemia veio apenas enfatizar a sua importância.

Na 75.ª Assembleia Geral, os ODS estão sob a luz da ribalta, e irão ter direito a uma transmissão global única de 30 minutos, criada pelo escritor, realizador e porta-voz dos ODS, Richard Curtis. Esta transmissão pretende guiar audiências de todo o mundo “através de uma exploração dinâmica dos tempos em que vivemos, dos múltiplos momentos críticos que o nosso planeta enfrenta e das intervenções que poderiam mudar o nosso mundo” até 2030, ano em que se espera que os ODS sejam alcançados. Até lá, a SDG Action Zone — que, em anos anteriores, serviu de ponto focal e lugar de reunião na sede das Nações Unidas para promover a agenda de desenvolvimento sustentável — está a trabalhar online, com aparições de “líderes inspiradores”. E a ONU irá também fazer uma parceria com o programa do Al Jazeera English, The Sream, para uma série de discussões acerca dos ODS.

4) Enfrentar uma “perda sem precedentes” de biodiversidade global

A biodiversidade do nosso planeta está em declínio, registando aquilo que a ONU avisa ser “uma taxa sem precedentes”. Mais de um milhão de espécies estão em risco de extinção, dois mil milhões de hectares de terra estão atualmente em degradação, e 66% dos oceanos, 50% dos recifes de coral e 85% dos pântanos têm sido negativa e significativamente alterados pela atividade humana.

A cimeira internacional para a discussão sobre como poderemos parar a aceleração da deterioração da natureza e o seu impacto prejudicial na vida das pessoas estava planeada para se realizar este ano em Kunming, na China. O encontro foi adiado para maio de 2021 e, entretanto, um dia de reuniões virtuais terá lugar sob os auspícios da AGNU, no dia 30 de setembro.

Até lá, é possível consultar o 2020 Biodiversity Outlook (Perspetivas para a Biodiversidade em 2020) aqui.

5) Igualdade de género: 25 anos depois de Pequim

Duas jovens pela defesa da Igualdade de Género e da Agenda 2030. Fonte: UN Photo/Manuel Elias.

O progresso relativo à igualdade de género e aos direitos das mulheres tem sido severamente afetado pela pandemia da covid-19, dado que, de acordo com António Guterres, são as mulheres e as raparigas que mais sofrem com as disparidades sociais e económicas.

No dia 1 de outubro, estes e outros assuntos relativos à igualdade de género e empoderamento serão discutidas na ONU, no âmbito do 25.º aniversário da Plataforma de Ação de Pequim, amplamente reconhecida como o plano mais abrangente e inovador para o avanço dos direitos das mulheres e raparigas. Adicionalmente, no dia 18 de setembro, celebrar-se-á, pela primeira vez, o Dia Internacional da Igualdade Salarial, que se focará em conseguir igualar os salários entre homens e mulheres.

 

 


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