Biografia

António Guterres, Secretário-Geral indigitado, a caminho do plenário da setenta e primeira sessão da Assembleia Geral para aprovar a sua nomeação como nono Secretário-Geral das Nações Unidas.
António Guterres a caminho do plenário da 71º sessão da Assembleia Geral para a assistir à aprovação da sua nomeação como o nono secretário-geral das Nações Unidas, em Nova Iorque, Estados Unidos. Foto: ONU

António Manuel de Oliveira Guterres assumiu funções como secretário-geral das Nações Unidas no dia 1 de janeiro de 2017, sendo a nona pessoa a ocupar este cargo.

António Guterres, nasceu em Lisboa a 30 de abril de 1949 e tem raízes familiares na aldeia de Dornas, concelho do Fundão. Desde jovem que Guterres demostrou as suas capacidades  exímias tendo ganho, em 1965, o Prémio Nacional dos Liceus. Depois de concluir o Liceu Camões, iniciou a licenciatura em Engenharia Eletrotécnica, no Instituto Superior Técnico, em Lisboa, terminando o curso em 1971. No mesmo ano começou a lecionar nesse mesmo instituto, onde se envolveu em atividades de ação social, promovidas pela Juventude Universitária Católica. Guterres foi ainda membro do Grupo da Luz, coordenado pelo padre Vítor Melícias, e presidente do Centro de Ação Social Universitário, uma associação que desenvolvia projetos socais em bairros pobres em Lisboa, durante a década de 70.

 

Nomeação do nono secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres. Foto: ONU

Mais tarde aderiu ao Partido Socialista (PS), pelo qual viria a exercer cargos políticos nos primeiros governos após o 25 de Abril. Foi deputado da Assembleia da República desde 1976 e presidiu a diversas comissões parlamentares durante 17 anos. Foi também membro da Assembleia Parlamentar do Conselho da Europa entre 1981 e 1983, onde presidiu à comissão de Demografia, Migrações e Refugiados. Em 1992, é eleito secretário-geral do PS e mais tarde exerceu o cargo de primeiro-ministro chefiando os XIII e XIV Governos Constitucionais, entre 1995 e 2002.

Durante estes anos, Guterres esteve envolvido na resolução da crise de Timor-Leste e presidiu ao Conselho da União Europeia durante a presidência de Portugal no primeiro semestre de 2000 – altura em que foi adotada a Agenda de Lisboa e foi realizada a primeira cimeira entre a União Europeia e os países africanos. Após a demissão do cargo de primeiro ministro foi consultor do Conselho de Administração da Caixa Geral de Depósitos. Guterres foi também Presidente da Internacional Socialista entre 1999 e 2005, onde já exercera o cargo de vice presidente responsável pelo comité de desenvolvimento (1992-1999).

António Guterres, entrou para o sistema das Nações Unidas em 2005, quando foi nomeado alto comissário das Nações Unidas para os Refugiados, cargo que viria a ocupar durante 10 anos. Guterres exerceu este cargo em tempos exigentes, tendo lidado com uma das mais graves crises de refugiados das últimas décadas, com o agudizar de conflitos na Síria, no Iraque e no Iémen e de várias crises no continente Africano, como no Sudão do Sul e na República Centro-Africana.

Neste período, o então alto comissário para os Refugiados promoveu uma série de reformas estruturais do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR), visando melhorar a capacidade de resposta e a eficácia da agência em situações de emergência. Antes de ser eleito secretário-geral das Nações Unidas foi ainda conselheiro de Estado, designado pelo presidente da República Portuguesa, Marcelo Rebelo de Sousa, cargo que já tinha exercido entre 1991 a 2002 por inerência dos cargos ocupados na altura. Foi também administrador não executivo do conselho de administração da Fundação Gulbenkian.
O secretário-geral António Guterres discursa na celebração do 70º aniversário da Associação de Correspondentes das Nações Unidas (UNCA). Foto: ONU/Mark Garten

Guterres, foi ainda membro fundador do Conselho Português para os Refugiados, em 1991, e da Associação para a Defesa do Consumidor (DECO). É ainda, membro do Clube de Madrid e do Fórum Ibero-Americano. Tendo assistido ao sofrimento dos grupos mais vulneráveis da sociedade em campos de refugiados e zonas de guerra, António Guterres está determinado a servir como um intermediário para a paz, construindo pontes e promovendo a inovação e a reforma.

Hoje, como secretário-geral das Nações Unidas, Guterres é o porta-voz para os interesses e necessidades de todos, especialmente dos mais fracos e vulneráveis. Para além do português, Guterres é fluente em inglês, francês e espanhol.