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7 destaques da ação climática para lembrar antes da COP26  

*Por ONU News  

Foi um setembro inesquecível, crucial para os compromissos com a ação climática. Da semana da Assembleia Geral das Nações Unidas até à reunião final pré-COP, o mês passado foi um momento importante para ganhar balanço antes da decisiva Conferência do Clima da ONU, COP26, que terá lugar no início de novembro. 

1 – Milhares de milhões para a energia limpa 

Mais de 400 mil milhões de dólares em novos financiamentos e investimentos foram garantidos por governos e pelo setor privado durante o Diálogo de Alto Nível sobre Energia das Nações Unidas, a primeira reunião de líderes sobre energia, no âmbito da Assembleia Geral da ONU, em 40 anos. 

Mais de 35 países, desde Estados insulares a grandes economias emergentes e industrializadas, assumiram novos compromissos energéticos significativos, que terão a forma de “Pactos”. 

Por exemplo, o “No New Coal Compact” inclui Sri Lanka, Chile, Dinamarca, França, Alemanha, Reino Unido e Montenegro. 

Os países envolvidos neste pacto comprometeram-se a parar imediatamente a emissão de novas licenças para projetos de geração de energia a carvão e cessar novas construções de geração de energia a carvão, a partir do final de 2021. 

Várias novas iniciativas de parceria foram anunciadas durante o evento, com o objetivo de fornecer e melhorar o acesso a eletricidade confiável, para mais de mil milhões de pessoas. 

Saiba mais sobre estes compromissos: importantes aqui 

2 – Estados Unidos e China impulsionam ação climática 

As duas maiores economias do mundo comprometeram-se com uma ação climática mais ambiciosa durante a semana de alto nível da Assembleia Geral. 

O presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, anunciou que o país aumentaria significativamente o seu financiamento climático internacional para aproximadamente 11,4 mil milhões de dólares por ano. 

Enquanto isso, o presidente Xi Jinping da China disse que acabará com todo o financiamento de centrais termoelétricas a carvão e redirecionará esse apoio à geração de energia verde e de baixo carbono. 

Embora os anúncios tenham sido muito bem-vindos, o secretário-geral da ONU sinalizou que ainda há “um longo caminho a percorrer” para fazer da Conferência do Clima da ONU (COP26) em Glasgow um sucesso que garanta “um ponto de viragem nos nossos esforços coletivos para lidar com o clima crise”. 

 

  1. A Semana do Clima em África estimulou a ação regional

Pessoas de toda a África reuniram-se virtualmente durante vários dias para destacar a ação climática, explorar possibilidades e apresentar soluções ambiciosas. 

Mais de 1.600 participantes juntaram-se ativamente neste encontro virtual, com o governo anfitrião do Uganda a reunir governos com líderes do setor privado, académicos e outras partes interessadas importantes. 

Janet Rogan, embaixadora regional da COP26 para a África e o Médio Oriente destaca que a reunião permitiu que muitas partes interessadas construíssem novas parcerias e fortalecessem as já existentes. “Só trabalhando juntos podemos realmente ajudar a cumprir a ambição do Acordo de Paris, ao mesmo tempo que estamos cientes das oportunidades e desafios únicos que isso representa para a região”, acrescenta. 

Agências da ONU que estiveram envolvidas: 

O Banco Mundial examinou abordagens de toda a economia para uma recuperação sustentável e verde 

O Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) explorou como os riscos climáticos e as soluções climáticas estão a revolucionar setores  

O Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) reimaginou o futuro e olhou para comportamentos, tecnologias e financiamento 

A Organização para a Alimentação e Agricultura (FAO) publicou o seu primeiro balanço das florestas e paisagens da África, revelando que até 65 por cento das terras produtivas estão degradadas, enquanto a desertificação afeta 45 por cento da área terrestre daquele continente. 

África contribuiu pouco para as alterações climáticas, gerando apenas uma pequena fração das emissões globais. No entanto, pode ser a região mais vulnerável do mundo que já sofre com secas, inundações e invasões destrutivas de gafanhotos, entre outros. 

  1. Anfitrião da COP, Reino Unido, pede aos países que “garantam financiamento”

Logo no início da Assembleia Geral, o primeiro-ministro do Reino Unido, Boris Johnson, convocou uma reunião de emergência para pressionar os países a tomarem mais medidas de financiamento do clima e outras medidas antes da COP26 da ONU. 

Os líderes mundiais abordaram as lacunas que permanecem nas ações necessárias dos governos nacionais, especialmente as potências industrializadas do G20, sobre mitigação, financiamento e adaptação. 

O primeiro-ministro do Reino Unido advertiu que “a história julgará” as nações mais ricas do mundo se elas não cumprirem a sua promessa de disponibilizar 100 mil milhões de dólares em ajuda climática, por ano, antes da COP26.  

O líder do governo britânico também garantiu que o seu país “liderará pelo exemplo, mantendo o meio ambiente na agenda global e servindo como plataforma de lançamento para uma revolução industrial verde global”.  

 

  1. Líderes mundiais comprometidos com reforma dos Sistemas Alimentares

Os sistemas alimentares causam até um terço das emissões de gases de efeito estufa, até 80% da perda de biodiversidade e usam até 70% das reservas de água doce. 

No entanto, sistemas sustentáveis de produção de alimentos devem ser reconhecidos como uma solução essencial para estes desafios. 

A 23 de setembro, a primeira Cimeira dos Sistemas Alimentares da ONU reuniu líderes mundiais para promover ações nacionais e regionais que transformem a forma como produzimos, consumimos e descartamos os nossos alimentos. 

Seguindo o último relatório do IPCC, que lançou o alerta vermelho, a administração dos Estados Unidos, um dos maiores produtores agrícolas do mundo, prometeu disponibilizar 10 mil milhões de dólares em cinco anos para enfrentar as alterações climáticas e ajudar a alimentar os mais vulneráveis sem esgotar os recursos naturais. 

A Cimeira, convocada pelo secretário-geral da ONU em 2019 para acelerar o progresso global, alavancando a importância dos sistemas alimentares, apresentou outros compromissos de mais de 85 chefes de Estado em todo o mundo. 

Muitos países anunciaram iniciativas nacionais para garantir que os seus sistemas alimentares atendam não apenas as necessidades nutricionais das suas populações, mas também as metas relacionadas com as alterações climáticas, a biodiversidade e os meios de subsistência dignos para todos. Organizações empresariais e da sociedade civil também fizeram promessas importantes. 

Dos 43 milhões de habitantes do Sudão, 7.1 milhões estão em situação de insegurança alimentar. Na foto, dois homens preparam bandejas com comida na Escola Al Tijane em El Fasher para o iftar, a refeição da noite que quebra o jejum muçulmano durante o mês do Ramadão. A UNAMID patrocinou o evento que reuniu cerca de 500 pessoas. UN Photo/Albert González Farran.
  1. Chega de ‘blá,blá,blá’ 

Perto de 400 ativistas de 15 aos 29 anos de 186 países reuniram-se em Milão, em Itália, há poucos dias, para apelar a uma aceleração da ação climática. A poucas semanas da COP26, eles destacaram a liderança jovem e pressionaram por uma sociedade muito mais consciente do clima. 

Greta Thunberg, juntamente com a ambientalista ugandense Vanessa Nakate, estavam entre os palestrantes no evento Youth4Climate, promovido pelo governo de Itália e o Banco Mundial. 

 “Reconstrua melhor. Blá blá blá. Economia verde. Blá blá blá. Emissões zero em 2050. Blah, blah, blah. Isso é tudo o que ouvimos dos nossos chamados líderes. Palavras que parecem ótimas, mas até agora não levaram à ação. As nossas esperanças e ambições afogam-se nas suas promessas vazias , lembrou Greta Thunberg. 

“Basta de conferências vazias, é hora de mostrar o dinheiro”, acrescentou Nakate, 24, referindo-se aos 100 mil milhões de dólares de ajuda climática anual prometida pelas economias mais ricas para ajudar os países em desenvolvimento vulneráveis ao impacto das alterações climáticas. 

“O que queremos? Queremos justiça climática agora”, destacou Thunberg, conhecida por inspirar uma série de greves climáticas de jovens em todo o mundo desde 2018. 

A reunião de três dias foi finalizada com um documento conjunto apresentado nas reuniões de negociação durante o evento de preparação da COP26, o Pré-COP. 

O chefe da ONU, António Guterres, agradeceu aos jovens por contribuírem com ideias e soluções antes da Conferência do Clima da ONU. 

“Os jovens estão na vanguarda na apresentação de soluções positivas, defendendo a justiça climática e cobrando responsabilidades aos líderes. Precisamos de jovens em todos os lugares para continuar a levantar as suas vozes”, afirmou Guterres. 

 

  1. Próximos compromissos: a Pré-COP

Cada Conferência das Nações Unidas sobre o Clima (COP) é precedida por uma reunião preparatória realizada cerca de um mês antes, chamada de Pré-COP. A reunião constituiu a última oportunidade formal e multilateral para os ministros moldarem as negociações ao pormenor antes da reunião em Glasgow em novembro. 

O evento, este ano teve lugar em Milão, reuniu ministros do Clima e da Energia de um grupo selecionado de países para discutir e trocar opiniões sobre alguns aspetos políticos-chave das negociações e aprofundar alguns dos principais temas que serão tratados na COP26. 

A reunião aconteceu algumas semanas depois de ter sido publicado um relatório da ONU sobre Alterações Climáticas que identificava a necessidade das nações de redobrarem urgentemente os seus esforços climáticos se quiserem evitar o aumento da temperatura global além da meta do Acordo de Paris de 2C – idealmente 1,5C – até ao final do século. 


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