1 em cada 5 crianças sofre de desnutrição aguda à medida que a escalada militar aumenta
Pelo menos 2 mil pessoas desesperadas e famintas morreram recentemente enquanto procuravam ajuda alimentar, muitas perto de zonas designadas como “humanitárias”. Segundo o comissário-geral da UNRWA, Philippe Lazzarini, Gaza “está a ser obliterada, reduzida a um deserto”, e a população faminta é forçada a concentrar-se em áreas de assistência limitadas, sem qualquer segurança real.
Dentre os grupos afetados, as crianças estão entre os mais vulneráveis. “Em agosto, 1 em cada 5 crianças na Cidade de Gaza foi diagnosticada com desnutrição aguda”, alertou a diretora-executiva da UNICEF, Catherine Russell. Em toda a Faixa de Gaza, a percentagem de crianças com desnutrição aguda aumentou de 8,3% em julho para 13,5% em agosto, atingindo 19% na cidade de Gaza. No total, 12.800 crianças foram identificadas como gravemente desnutridas, apesar de a capacidade de rastreio ter sido reduzida pelo encerramento de 10 centros de tratamento devido às ordens de evacuação e à escalada militar.
Mulheres grávidas e lactantes também estão fortemente afetadas, com a ingestão insuficiente de alimentos a aumentar os riscos para mães e bebés. Já 1 em cada 5 recém-nascidos na Faixa de Gaza nasce prematuro ou com baixo peso. A UNICEF tem trabalhado para aumentar os suprimentos nutricionais, incluindo alimentos terapêuticos prontos a usar, mas outros recursos essenciais continuam insuficientes, especialmente para prevenção e apoio a grupos vulneráveis.
A escalada militar agrava ainda mais a situação, impedindo o acesso seguro a serviços essenciais, como nutrição, cuidados de saúde e abrigos. A interrupção de centros de triagem e tratamento limita o alcance da ajuda humanitária, colocando vidas em risco e acelerando o colapso das linhas de sobrevivência das crianças e das famílias mais vulneráveis.
A UNICEF apela a todas as partes para restabelecer o cessar-fogo, proteger civis e infraestruturas essenciais, e garantir o acesso ininterrupto e seguro da ajuda humanitária à população. Sem esta ação urgente, a fome e a desnutrição em Gaza continuarão a aumentar, com consequências devastadoras para gerações inteiras.