Artigos A Inteligência Artificial: nem boa, nem má

A Inteligência Artificial: nem boa, nem má

Foto: Unsplash/Aidin Geranrekab

A Inteligência Artificial (IA) está a evoluir a um ritmo exponencial e a sociedade não está a conseguir acompanhar o seu crescimento. Esta é uma das principais conclusões do relatório do Painel Científico Internacional Independente sobre Inteligência Artificial das Nações Unidas, elaborado por um grupo de 40 especialistas. 

Há alguns anos, a IA limitava-se a responder a perguntas simples e realizar cálculos matemáticos. Hoje, escreve códigos informáticos, gera imagens e vídeos realistas, analisa quantidades astronómicas de dados e apoia até investigações médicas. E quanto maior é o potencial, maiores são também as preocupações sobre a forma como esta tecnologia é utilizada.

Quais são os desafios da AI?

De acordo com este relatório, a IA está a transformar a sociedade: acelera o progresso científico, impulsiona a inovação e contribui para alcançar os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável. Mas pode também representar riscos que ameaçam os Direitos Humanos.

O grande desafio passa por aproveitar os benefícios da IA, ao minimizar os riscos, entre eles: 

  • Abuso online, relativo à criação e divulgação de conteúdos sexuais;
  • Desinformação e manipulação da opinião pública, com impacto na democracia;
  • Aumento de ciberataques, fraudes e burlas digitais;
  • Riscos para a saúde mental, incluindo o agravamento do isolamento; 
  • Maior dificuldade em monitorizar e controlar sistemas de IA cada vez mais complexos;
  • Impacto ambiental devido ao elevado consumo de energia e às emissões de gases;
  • Transformações profundas no mercado de trabalho, com a substituição de profissões e a necessidade de novas competências.

Quais são as principais conclusões do relatório?

  1. Necessidade de regulação: atualmente, não existem garantias suficientes de que os seres humanos consigam manter controlo sobre os sistemas de IA mais avançados.
  2. Velocidade do desenvolvimento: A IA evolui tão rapidamente que, muitas vezes, quando uma nova regulamentação entra em vigor, a tecnologia já avançou e essa legislação corre o risco de ficar desatualizada. 
  3. Concentração de poder: O desenvolvimento da IA está concentrado num número reduzido de países e empresas. Segundo o relatório, os Estados Unidos e a China concentram cerca de 90% da capacidade mundial de computação dedicada à IA, o que pode agravar desigualdades entre países.
Foto: Adobe Stock/Southport l Um centro de dados no estado americano de Wisconsin

Qual é a resposta da ONU?

Perante este cenário, as Nações Unidas continuam a procurar uma resposta internacional baseada na evidência científica, capaz de maximizar os benefícios da Inteligência Artificial e reduzir os riscos. O secretário-geral da ONU apelou aos países para que “não percam tempo” e que utilizem estas recomendações para orientar as suas decisões.

Segundo o painel científico, a Inteligência Artificial não é, por si só, nem boa nem má. O seu impacto dependerá das escolhas dos governos, empresas e sociedades.