Acnur: venezuelanos enfrentam caminhadas desafiadoras em busca de segurança

Grupos de homens, mulheres e crianças caminham ao longo da estrada estreita e sinuosa que leva a passagem da montanha. Eles andam em fila única para evitar os caminhões e ônibus que circulam em curvas cegas.

Muitas vezes tentam conseguir carona com os caminhões que passam, mas, como a polícia colombiana multa aqueles que são pegos carregando venezuelanos, os motoristas tendem a hesitar em ajudar.

Alguns dos ‘caminantes’, como costumam ser chamados em espanhol, carregam mochilas de ombro. Outros arrastam malas pesadas ou embalam bebês exaustos.

Usam shorts e camisetas e tênis velhos ou chinelos, com as solas gastas e finas, muitas vezes cheias de buracos. Alguns não usam sapatos.

Frio

Ao longo do caminho, os migrantes e refugiados comem e dormem nas cozinhas e abrigos de sopa, administrados por instituições de caridade, organizações humanitárias e até indivíduos. Quando não há mais espaço nos abrigos, eles dormem ao longo da estrada.

Quanto mais eles sobem as montanhas, mais frio fica. Se protegem com o que têm, lençóis, toalhas, meias reaproveitadas como luvas, para afastar os ventos frios e as temperaturas que podem cair até congelar.

Alguns se tornam vítimas da jornada. O Acnur destaca que uma mulher de 19 anos foi morta recentemente quando um caminhão a atingiu do lado de fora de um abrigo.

Outros, com os sistemas imunológicos já comprometidos pela escassez de alimentos na Venezuela, adoecem ao longo do caminho.

Ajuda Humanitária

Uma pesquisa recente da agência da ONU mostra que mais da metade dos quase 8 mil venezuelanos entrevistados enfrentam riscos graves e específicos durante suas jornadas, com idade, sexo, saúde ou outras necessidades, os tornando particularmente vulneráveis ​​e com necessidade urgente de proteção e apoio.

Grexys González foi hospitalizada com disenteria amebiana no terceiro dia de sua jornada, nos arredores de uma cidade chamada Pamplona. A contadora de 29 anos não teve outra opção a não ser deixar seu emprego em uma empresa de serviços petrolíferos para realizar a jornada por terra depois que parou de receber o seu salário e não foi mais capaz de pagar as consultas médicas mensais para sua filha hipoglicêmica de três anos de idade.

A venezuelana conta que “sabia que era extremamente arriscado, mas sabia que, se não corresse o risco, tudo ficaria pior.”  Grexys, que pesava 63 quilos antes da crise na Venezuela, ficou com apenas 47 quilos após a escassez de alimentos em casa e sua crise de disenteria.

Para ajudar refugiados e migrantes vulneráveis ​​da Venezuela, o Acnur intensificou sua resposta e está trabalhando em estreita colaboração com governos e parceiros anfitriões para apoiar uma abordagem coordenada e abrangente. Isso inclui apoiar os Estados a melhorar as condições de recepção nos pontos de fronteira onde os ‘caminantes’ chegam em condições muito precárias e coordenar o fornecimento de informações e assistência para atender às necessidades básicas imediatas dos venezuelanos, incluindo abrigo.

*Texto adaptado de reportagem produzida pelo Acnur


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