Longe das manchetes Afeganistão: Uma tragédia que não termina

Afeganistão: Uma tragédia que não termina

Famílias afegãs afetadas pelo conflito, desastres e deslocações. Foto: OCHA/Sayed Habib Bidell

De que se trata esta crise?

O Afeganistão continua a sofrer os efeitos de décadas de conflitos, de uma crise económica asfixiante e catástrofes naturais, como os sismos devastadores que atingiram o oeste do país, em outubro de 2023.

De acordo com dados das Nações Unidas, aproximadamente 22.9 milhões de pessoas no Afeganistão precisaram de assistência humanitária em 2025, com a insegurança alimentar a afirmar-se como um dos principais fatores de necessidade.

O Afeganistão enfrenta uma crise humanitária sem precedentes, com o grave risco de colapso sistémico e de catástrofe humana. Para além disso, esta crise acarreta custos humanos inimagináveis e está a reverter muitos dos progressos alcançados nos últimos 20 anos, particularmente no que diz respeito aos direitos das mulheres e ao acesso das mesmas à educação e meios de subsistência.

Como surgiu a crise?

O país começou uma nova era com o fim do conflito armado de 20 anos entre os Talibãs e as Forças de Defesa e Segurança Nacional Afegãs, em agosto de 2021 e com a tomada de poder do país pelos Talibãs. Este novo capítulo foi caracterizado pelo rápido declínio económico, fome, risco de desnutrição, inflação motivada por choques globais nos preços de matérias-primas, aumento drástico de pobreza em zonas rurais e urbanas, quase colapso do sistema nacional de saúde, opressão nos meios de comunicação e da sociedade civil e ainda severas restrições à participação das mulheres na vida pública, na educação e no acesso ao mercado de trabalho.

A economia do Afeganistão entrou em declínio após 2021 e permanece estagnada, o que limita a capacidade dos agregados familiares para suprir com as necessidades básicas e restringe a capacidade das autoridades de fornecer serviços essenciais.

Impacto nas Pessoas e no Ambiente:

  • 15.8 milhões de pessoas, numa população de 41.7 milhões, enfrentam uma situação de insegurança alimentar aguda;
  • 1 em cada 3 afegãos não sabem quando será a sua próxima refeição.

Após a tomada de posse do país pelos Talibãs e da situação pós-conflito, três sismos com magnitude de 6.3 atingiram a província ocidental de Herat. Num período de apenas 8 dias, 40 mil casas ficaram danificadas – 10 mil das quais foram totalmente destruídas – o que afetou 275 mil pessoas. Milhares de famílias vivem agora em tendas e abrigos improvisados, onde estão expostas às temperaturas de inverno.

Desde que o Paquistão anunciou a repatriação dos “estrangeiros ilegais”, a 1 de novembro de 2023, mais de 450 mil afegãos retornaram ao país, dos quais mais de 85% eram mulheres e crianças. Esta população necessita de atenção e assistência imediata na fronteira, tal como de apoio a longo prazo para apoiar a reintegração.

450 mil Afegãos foram expulsos do Paquistão desde 1 de novembro de 2022- Foto: OCHA/Sayed Habib Bidell

Respostas da ONU à Crise

Entre janeiro e outubro de 2026, a ONU e as ONG parceiras prestaram assistência vital direta a 26.5 milhões de pessoas, incluindo 14.2 milhões de mulheres e meninas.

As operações de assistência continuam a enfrentar graves cortes de financiamento.

O Plano de Resposta e de Necessidades Humanitárias de 2025 necessita de aproximadamente 2.42 mil milhões de dólares, mas permanece significativamente subfinanciado, o que limita a proporção de sustentabilidade de assistência.

As agências da ONU envolvidas e a sua função

As Nações Unidas têm uma missão política no Afeganistão, a UNAMA (Missão de Assistência das Nações Unidas no Afeganistão) que apoia a paz, a estabilidade, os Direitos Humanos e a coordenação entre atores internacionais.

Várias agências da ONU estão profundamente envolvidas no trabalho humanitário e de desenvolvimento, entre elas:

  • OCHA – Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários;
  • ACNUR & IOM – Agências para Refugiados, Retornados e Deslocados; 
  • PMA – Programa Mundial de Alimentos;
  • UNICEF – Fundo das Nações Unidas para a Infância;
  • OMS – Organização Mundial de Saúde;
  • UNFPA – Fundo de População das Nações Unidas para a Saúde Sexual e Reprodutiva;
  • ONU Mulheres – Agência para a Igualdade de Género;
  • PNUD – Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento;
  • UNMAS – Serviço de Ação contra Minas das Nações Unidas;
  • UNODC – Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime;
  • Banco Mundial.
Oficiais da ONU na Passagem de  Torkham, na fronteira do Afeganistão com o Paquistão. Foto: OCHA/Sayed Habib Bidell

Os ODS e a Crise

Muitos dos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) estão em risco no Afeganistão, nomeadamente:

  • #1 Erradicar a Pobreza;
  • #2 Erradicar a Fome;
  • #5 Igualdade de Género; 
  • #8 Trabalho Digno e Crescimento Económico;
  • #16 Paz, Justiça e Instituições Eficazes;

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