A Organização das Nações Unidas (ONU) deixa um aviso claro: sem um reforço urgente do financiamento global, o cumprimento dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) até 2030, está em risco.
O alerta surge com o lançamento do Relatório dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável 2026, durante o Fórum Político de Alto Nível sobre o Desenvolvimento Sustentável, que avalia os progressos e os retrocessos alcançados desde a adoção da Agenda 2030, O documento destaca ainda que os conflitos, a instabilidade económica e as alterações climáticas continuam a dificultar a concretização das metas definidas.
A importância dos ODS
Desde 2015 que os ODS têm impulsionado melhorias significativas em diversas áreas do desenvolvimento humano. O relatório demonstra que, quando há investimento e coordenação internacional, os ODS funcionam como um motor de transformação em massa na vida de mil milhões de pessoas. Entre os principais progressos alcançados desde a adoção da agenda, destacam-se:
- Cerca de 1,2 mil milhões de pessoas passaram a ter acesso a saneamento seguro e quase um mil milhão obtiveram acesso de água potável;
- O acesso à eletricidade aumentou e cobre 92% da população mundial e 74% da tem, atualmente, acesso à internet;
- As novas infeções por VIH diminuíram 30%, na última década;
- Regiões como Médio Oriente ou Norte de África estão mais próximas de erradicar a pobreza extrema, até 2030.
- O trabalho laboral infantil diminui em mais de 20 milhões de casos, entre 2020 e 2024;
- Trabalhos para a igualdade de género, saúde e energias;
- Também foram registados avanços na igualdade de género, na saúde, no acesso à educação e na expansão das energias limpas.
Apesar destes resultados, o relatório alerta que, com menos de cinco anos até 2030, o ritmo de progresso continua insuficiente e desigual para cumprir com as metas estabelecidas.
Consequências da falta de financiamento
O mundo enfrenta desafios cada vez mais complexos, desde conflitos armados, à regressão económica e ao caos climático. Os dados atuais revelam uma realidade preocupante:
- Uma em cada dez pessoas continua a viver em situação de pobreza extrema.
- Cerca de 2,3 mil milhões de pessoas enfrentam insegurança alimentar moderada ou grave;
- Mais de 150 milhões de crianças sofrem de atrasos no crescimento;
- A mortalidade materna permanece três vezes superior à meta definida;
- O número de pessoas afetadas por desastres climáticos duplicou desde 2015.
Assim que, para salvar a Agenda 2030, o relatório aponta para a necessidade urgente de colmatar o défice anual de financiamento dos ODS, estimado em cerca de 4 biliões de dólares por ano, ao utilizar mecanismos internacionais de mobilização de recursos, assumidos na Conferência de Sevilha sobre Financiamento para o Desenvolvimento.
A menos de cinco anos do prazo final da Agenda 2030, o secretário-geral da ONU, António Guterres, apelou aos líderes mundiais para transformarem o encontro num ponto de viragem. “Guiados pelos dados deste relatório, a nossa visão da Agenda 2030 continua ao nosso alcance. Juntos, vamos fazer um esforço final decisivo para alcançar os ODS e construir um futuro próspero para todos”, terminou.