Faltam apenas cinco anos para o prazo da Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável, com metas destinadas a tornar a igualdade de género uma realidade para todos. O Gender Snapshot 2025, produzido pela ONU Mulheres e pelo Departamento dos Assuntos Económicos e Sociais das Nações Unidas, mostra que foi feito progresso significativo: as mulheres estão a conquistar assentos nos parlamentos, as raparigas estão a superar os rapazes na conclusão da escola e, em apenas cinco anos, quase 100 países eliminaram leis discriminatórias – desde a proteção contra o casamento infantil até leis sobre violação baseadas no consentimento.
No entanto, o relatório também revela dados preocupantes: 10% das mulheres vivem em extrema pobreza, um número que não melhorou desde 2020, e até 2030, 351 milhões de mulheres e raparigas ainda poderão continuar presas nesta condição. Além disso, 676 milhões vivem atualmente a menos de 50km de conflitos mortais – o número mais elevado registado desde a década de 1990. Em 2024, havia 64 milhões a mais de mulheres adultas em situação de insegurança alimentar moderada ou grave do que homens adultos. Estas estatísticas mostram que, embora haja progresso, o mundo enfrenta desafios urgentes que exigem ação imediata, investimento e vontade política.
Violência de género
A violência continua a ser uma realidade diária: 1 em cada 8 mulheres entre os 15 e os 49 anos sofreu violência por parte do parceiro nos últimos 12 meses. Países com leis e serviços fortes apresentam taxas 2,5 vezes mais baixas de violência, provando que a proteção eficaz funciona. Práticas nocivas, como a mutilação genital feminina (MGF), ainda afetam 4 milhões de raparigas por ano, metade antes dos cinco anos de idade.
Mercado de trabalho e revolução digital
Mais de 700 milhões de mulheres estão afastadas do mercado de trabalho devido ao peso dos cuidados e das tarefas domésticas não remuneradas que realizam em casa. Mesmo quando trabalham, têm empregos com remuneração mais baixa e com poucas oportunidades de progressão. No setor tecnológico, representam 29% da força de trabalho e 14% dos líderes, e 28% dos empregos femininos estão em risco com a IA, contra 21% dos masculinos. Mas a inclusão digital pode ser um grande equalizador, gerando oportunidades e crescimento.
Investimento feminino: chave para o crescimento
O relatório destaca que investir nas mulheres é a estratégia de crescimento mais inteligente que um país pode escolher: se os governos agirem agora, a pobreza extrema feminina poderá cair de 9,2% em 2025 para apenas 2,7% em 2050, o que representaria um impulso de 342 biliões de dólares para a economia global. Fechar a lacuna digital de género também poderia beneficiar 343 milhões de mulheres e raparigas, tirar 30 milhões da pobreza e gerar 1,5 biliões de dólares de crescimento global até 2030.
A importância da recolha de dados e prioridades globais
A recolha de dados é essencial para o progresso: apenas 57% dos dados de género necessários estão disponíveis, já que mais da metade dos institutos nacionais de estatística sofreram cortes orçamentais em 2025. Sem informação confiável, políticas eficazes não podem ser implementadas.
A Beijing+30 Action Agenda identifica seis áreas prioritárias para acelerar a igualdade de género: inclusão digital, liberdade da pobreza, proteção contra violência, igualdade no poder e liderança, justiça climática e paz e segurança, sempre com foco em amplificar a voz de jovens mulheres e raparigas.
O mundo tem cinco anos para decidir se a igualdade será apenas uma promessa ou uma realidade. Investir em mulheres e raparigas não é um custo: é a chave para desbloquear crescimento económico, justiça social e sociedades mais seguras e resilientes.