Os traficantes de droga estão a tirar partido das novas tecnologias e da crescente instabilidade internacional para desenvolver novas drogas, diversificar rotas de tráfico e expandir-se para novos mercados. O alerta consta no World Drug Report 2026, divulgado pelo Gabinete das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC), no Dia Internacional contra o Abuso e Tráfico Ilícito de Drogas.
Segundo o relatório, o mercado mundial das drogas está a tornar-se cada vez mais complexo com a circulação de novas substâncias psicoativas: “Estamos a assistir ao aparecimento de novos tipos de drogas e algumas são mais potentes e perigosas do que nunca”, afirmou Monica Juma, diretora executiva do UNODC.
Mais de 330 milhões de consumidores
Em 2024, cerca de 331 milhões de pessoas consumiram algum tipo de droga, o equivalente a 6,2% da população mundial.
A canábis continua a ser a substância ilícita mais consumida, com 256 milhões de utilizadores. O relatório destaca ainda que o número de consumidores de canábis aumentou 40% na última década.
Segundo o UNODC, também a produção mundial de cocaína registou um forte crescimento e atingiu um novo máximo histórico em 2024, ao quadruplicar a produção nos últimos dez anos e ao registar cerca de 25 milhões de consumidores.
As restantes substâncias mais consumidas são:
- Opióides: 63 milhões de consumidores;
- Anfetaminas: 32 milhões de consumidores;
- Ecstasy: 21 milhões de consumidores;
Expansão do mercado
A expansão do mercado também já não se limita às regiões tradicionalmente associadas ao tráfico. Novos fluxos provenientes da América do Norte, da África Ocidental e Central e do Sudoeste Asiático abastecem mercados emergentes no Médio Oriente, em África, na Europa e na região do Pacífico.
Impacto social
As consequências do consumo de drogas incluem milhões de mortes prematuras, perda de anos de vida saudável, destruição de comunidades, distorção das economias e o agravamento da violência e da insegurança.
Para o UNODC, combater o problema exige não apenas ações de repressão ao tráfico internacional, mas também políticas públicas centradas na prevenção, na saúde e na redução das desigualdades sociais.