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Alimentação

O número de pessoas malnutridas no mundo tem aumentado desde 2014 e atingiu os 821 milhões em 2017.

Durante as duas décadas que antecederam o novo milénio, a procura global de alimentos aumentou de forma constante juntamente com o crescimento da população mundial, com as colheitas recordes, a subida de rendimentos e a diversificação de dietas. Como resultado destas mudanças, o preço dos alimentos registou uma descida no ano de 2000.

No entanto, devido ao aumento da população e à alteração de tendências no setor da indústria, a partir de 2004 observa-se o aumento dos preços dos cereais registando-se uma produção menor do que a procura.

O Programa Mundial de Alimentos (PMA) avia alimentos para Bentiu, no Sudão do Sul. Desde setembro, o PMA enviou cerca de 1.500 toneladas para responder à escassez de alimentos no território. Foto: ONU/Isaac Billy

Em 2005, a produção de alimentos foi dramaticamente afetada por incidentes climáticos extremos nos principais países produtores de alimentos. Em 2006, a produção mundial de cereais caiu 2,1% e em 2007, o aumento dos preços do petróleo agravaram os custos de fertilizantes e de outros associados à produção de alimentos.

Como os preços internacionais dos alimentos atingiram níveis sem precedentes, os países procuraram formas de se protegerem da possível escassez de alimentos e da inflação dos preços. Esta preocupação obrigou a que vários países exportadores de alimentos impusessem restrições à venda de alimentos para mercados externos. Por outro lado, alguns importadores importantes começaram a comprar cereais a qualquer preço para manter os seus stocks.

Grupo de trabalho de alto nível sobre segurança alimentar e nutricional global

O dramático aumento dos preços globais dos alimentos levou a ONU, em abril de 2008, a criar um Grupo de Trabalho de Alto Nível sobre a Crise Global de Segurança Alimentar. Composto por 23 membros do sistema da ONU, este Grupo pretende promover uma resposta abrangente da comunidade internacional ao desafio de alcançar a segurança alimentar e nutricional global.

O progresso continua na luta contra a fome, mas ainda existe um elevado número de pessoas que não tem os alimentos de que necessita para uma vida ativa e saudável.

Um profissional de saúde mede o braço de um bebé, no norte do Estado de Bahr el Ghazal, no Sudão do Sul. A UNICEF e o Programa Mundial de Alimentos (PAM) lançaram um plano de resposta nutricional conjunta para todos os estados do Sudão do Sul. As agências da ONU e os seus parceiros ajudaram mais de dois milhões de pessoas – crianças, mulheres grávidas e novas mães – a prevenir a malnutrição aguda no país até maio de 2016. Foto: ONU/JC McIlwaine

A fome em números

As últimas estimativas disponíveis indicam que cerca de 821 milhões de pessoas no mundo estavam subnutridas em 2017. Isso significa que, uma em cada nove pessoas não tem acesso a comida suficiente para serem saudáveis e terem uma vida ativa.

A fome e a malnutrição são o risco número um para a saúde em todo o mundo – maior do que a SIDA, a malária e a tuberculose juntas.

Medindo o progresso global

O ano de 2015 marcou o fim do período de monitorização das duas metas internacionalmente acordadas para a redução da fome:

O primeiro foi o objetivo da Cimeira Mundial da Alimentação (WFS). Na WFS, realizada em Roma em 1996, representantes de 182 governos comprometeram-se “a erradicar a fome em todos os países, com uma visão imediata em reduzir o número de pessoas subnutridas para metade do seu nível atual até 2015”.

Membros do Batalhão da Missão das Nações Unidas para Estabilização no Haiti (MINUSTAH) fazem entregas de leite, arroz, farinha, chá e outros alimentos, a 600 alunos de uma escola perto da cidade Cité Soleil, em Porto Príncipe, Haiti, 2006. Foto: ONU/Sophia Paris

A segunda foi a formulação do Primeiro Objetivo de Desenvolvimento do Milénio (ODM 1), que inclui entre as suas metas “reduzir para metade a proporção de pessoas que sofrem de fome até 2015”.

Os Objetivos de Desenvolvimento do Milénio e os alimentos

Em 2000, líderes mundiais reuniram-se na ONU para discutir o combate à pobreza, que foi traduzida em oito Objetivos de Desenvolvimento do Milénio (ODM) e permaneceu, até 2015, como a estrutura de desenvolvimento global para o mundo. No final do período dos ODM, em 2015, houve uma avaliação final dos progressos realizados durante a vigência dos ODM.

A mobilização global por detrás dos Objetivos de Desenvolvimento do Milénio produziu o movimento anti-pobreza de maior sucesso da história. A meta dos ODM de reduzir para metade a proporção de pessoas a viver na pobreza extrema foi alcançada em 2010, cinco anos antes do prazo acordado.

A proporção de pessoas malnutridas nas regiões em desenvolvimento caiu quase para metade. Uma em cada sete crianças em todo o mundo está abaixo do peso. Em 1990, uma em cada quatro crianças encontrava-se nesta situação.

Como pode ser observado nos resultados dos ODMs acima referidos, houve um progresso assinalável em relação à alimentação e à fome entre 2000 e 2015. No entanto, há ainda um longo caminho a percorrer. Esse trabalho está agora no foco dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável.

Desafio Fome Zero

Um voluntário do Programa de Nutrição do Programa Mundial de Alimentos (PMA) pesa uma criança malnutrida num centro de distribuição de alimentos no campo de deslocados internos (IDPs) em Ruanda, perto de Tawila, norte de Darfur. Mais de 8.000 mulheres e crianças que vivem no campo beneficiam de programas de nutrição executados pelo PMA, 2014. Foto: ONU

Alimentos e os ODS

A alimentação está também no centro dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), a agenda de desenvolvimento da ONU para o século XXI. O segundo dos 17 ODS da ONU é “Acabar com a fome, alcançar a segurança alimentar e melhorar a nutrição e promover a agricultura sustentável”. Atingir este objetivo até a data prevista de 2030 exigirá uma mudança profunda no sistema global de alimentação e da produção agrícola. Algumas das metas deste Objetivo são:

  • Acabar com a fome e assegurar o acesso de todas as pessoas a alimentos seguros e nutritivos;
  • Acabar com todas as formas de malnutrição;
  • Duplicar a produtividade agrícola e o rendimento dos produtores de alimentos em pequena escala;
  • Garantir sistemas sustentáveis ​​de produção de alimentos;
  • Aumentar o investimento na agricultura;
  • Corrigir e prevenir restrições comerciais e distorções nos mercados agrícolas mundiais;
  • Adotar medidas para garantir o funcionamento adequado dos mercados de produtos alimentares.

Agências das Nações Unidas que trabalham pela segurança alimentar

Programa Mundial de Alimentos (PMA)
O Programa Mundial de Alimentos (PMA) presta assistência alimentar a mais de 80 milhões de pessoas em 80 países e responde continuamente a emergências.

Dez camiões do Programa Mundial de Alimentos (WFP), com dois contentores cada, viajaram até à cidade de Shangil Tobaya, no Sudão, para entregar 350 toneladas de alimentos nos campos de deslocados internos da zona. Foto: ONU/Albert González Farran

Banco Mundial
O investimento na agricultura e no desenvolvimento rural para impulsionar a produção de alimentos e a nutrição é uma prioridade do Banco Mundial. A instituição trabalha com parceiros para melhorar a segurança alimentar e construir um sistema que possa alimentar todos, em todos os lugares, todos os dias. As atividades do Banco Mundial incluem o incentivo de técnicas agrícolas inteligentes em relação ao clima e a recuperação de terras agrícolas degradadas, a criação de culturas mais resilientes e nutritivas e a melhoria das cadeias de armazenamento e abastecimento com o objetivo de reduzir a perda de alimentos.

Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO)

Pequenos agricultores escavam o terreno para a fertilização e produção de uvas. A iniciativa “Gawaye Grape Farm Project” é apoiada pela Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO), Dodoma, Tanzânia. Foto: FAO/IFAD/WFP/Eliza Deacon

Alcançar a segurança alimentar para todos está no cerne dos esforços da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO),  para garantir que as pessoas tenham acesso regular a alimentos de alta qualidade para uma vida ativa e saudável. Os seus três principais objetivos são: erradicar a fome e combater a insegurança alimentar e a malnutrição; eliminar a pobreza e o avanço do progresso económico e social para todos; e gerir de forma sustentável a utilização de recursos naturais, incluindo terra, água, ar, clima e recursos genéticos para o benefício das gerações presentes e futuras.

Fundo Internacional para o Desenvolvimento Agrícola (FIDA)
O Fundo Internacional para o Desenvolvimento Agrícola (FIDA) concentra-se exclusivamente na redução da pobreza rural, trabalhando com populações rurais pobres nos países em desenvolvimento para eliminar a pobreza, a fome e a malnutrição. O Fundo pretende ainda aumentar a produtividade e o rendimento das populações rurais e melhorar a qualidade das suas vidas. Todos os programas e projetos financiados pelo FIDA abordam, de alguma forma, a segurança alimentar e nutricional. O FIDA apoiou cerca de 400 milhões de mulheres e homens rurais pobres nas últimas três décadas.

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