Assembleia Geral da ONU realiza sessão especial de emergência sobre Ucrânia

A Assembleia Geral da ONU iniciou nesta segunda-feira uma sessão especial de emergência para debater o conflito na Ucrânia após a ofensiva militar da Rússia.

O encontro realizado com base na resolução “Unindo pela Paz” foi solicitado pelo secretário-geral no fim da tarde de domingo, após uma decisão do Conselho de Segurança. O tema está sendo analisado pela Assembleia Geral porque, na semana passada, a Rússia vetou a resolução do Conselho que condenava os ataques do país à Ucrânia.

Na semana passada, a Rússia vetou a resolução do Conselho que condenava os ataques do país à Ucrânia

UNICEF/ Ashely Gilbertson V

Na semana passada, a Rússia vetou a resolução do Conselho que condenava os ataques do país à Ucrânia

Acesso humanitário

O primeiro a falar foi o presidente da Assembleia Geral, Abdulla Shahid, que pediu um cessar-fogo imediato.

Para ele, é obrigação da ONU atuar e agir em nome dos civis que estão sofrendo os horrores desta guerra. Ele disse que o acesso humanitário deve ser garantido e que a paz tem que prevalecer.

Ao assumir a palavra, o secretário-geral da ONU afirmou que os combates na Ucrânia têm que parar e parar agora.

António Guterres citou os bombardeios russos por terra, água e ar e descreveu o sofrimento dos civis ucranianos nas estações de metrô tentando se proteger dos ataques.

Presidente da 76ª Sessão da Assembleia Geral das Nações Unidas, Abdulla Shahid

UN Photo/Cia Pak

Presidente da 76ª Sessão da Assembleia Geral das Nações Unidas, Abdulla Shahid

Armas nucleares

O chefe da ONU disse que é hora de dar um basta no conflito e que a notícia sobre a possibilidade da Rússia utilizar armas nucleares é petrificante. Para ele, nada pode justificar o uso de armas atômicas.

Guterres contou que garantiu ao presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky que a ONU não abandonará o país.

Na terça-feira, as Nações Unidas lançarão dois apelos humanitários para a Ucrânia incluindo um de proteção de civis que estão cruzando as fronteiras.

Na semana passada, a ONU já havia colocado US$ 20 milhões do Centro de Resposta de Emergência à disposição da Ucrânia.

Saguão da Assembleia Geral da ONU, em Nova Iorque.

Foto: UN Photo/Manuel Elias

Saguão da Assembleia Geral da ONU, em Nova Iorque.

Carta da ONU

Guterres concluiu seu discurso na ONU dizendo que é hora de os líderes lançarem mão da paz e pediu a todos os países-membros que cumpram a Carta da ONU.

O secretário-geral afirmou esperar que as conversações entre Ucrânia e Rússia, marcadas para esta segunda-feira, surtam efeitos. 

António Guterres declarou que a guerra não é a resposta, mas sim uma distração dos verdadeiros desafios que a humanidade enfrenta como mudança climática e a recuperação da pandemia. 

Embaixador da Ucrânia na ONU, Sergiy Kyslytsya, no Conselho de Segurança.

Foto: UN Photo/Evan Schneider

Embaixador da Ucrânia na ONU, Sergiy Kyslytsya, no Conselho de Segurança.

Segunda Guerra Mundial

O embaixador da Ucrânia, Sergiy Kyslytsya, foi o terceiro a falar dizendo que a pessoa que estava causando a guerra, Vladimir Putin, “estava se protegendo dela dentro de um bunker como alguém o fez em 1945, num bunker em Berlim”, aludindo ao ex-líder da Alemanha, Adolf Hitler.

Kyslytsya lembrou o sofrimento de todos os civis e leu o diálogo de um soldado russo com a mãe, momentos antes de ser morto no conflito. A mãe do militar não sabia que ele havia sido enviado à Ucrânia pelos russos, onde acabou morrendo.

O embaixador ucraniano disse que se a Ucrânia não sobreviver a esse conflito, a ONU também não sobreviverá. Ele pediu que a Assembleia Geral ajude a defender os valores nos quais acredita e afirmou que a presença da Federação Russa na ONU era “ilegítima” e pediu aos presentes na Assembleia para sinalizar quem havia votado a favor da entrada da Federação Russa na ONU após a nação ter mudado de nome com o fim da União Soviética em 1991. Ninguém levantou a mão.

Embaixador Vassily Nebenzia da Rússia discursa no Conselho de Segurança da ONU

ONU

Embaixador Vassily Nebenzia da Rússia discursa no Conselho de Segurança da ONU

“Mentiras”

Já o representante da Rússia, Vassily Nebenzia, assumiu a tribuna em seguida dizendo que uma série de “mentiras” estava proliferando nas redes sociais e na imprensa sobre o seu país. 

Segundo ele, o conflito estava sendo causado pela Ucrânia e pelo que ele chamou de “forças nazistas” no país.

Em 21 de fevereiro, a Rússia decidiu reconhecer duas regiões separatistas da Ucrânia, Donetsk e Luhansk, como “Estados independentes”, e na noite de quarta-feira, em Nova Iorque, enquanto o Conselho de Segurança se reunia sobre o tema, o presidente Putin declarou a ofensiva militar à Ucrânia.

Para o embaixador da Rússia, a ofensiva não pode ser chamada de guerra, mas sim de “operação militar especial” para libertar os ucranianos de um governo que segundo ele “não tem qualquer legitimidade”.

A realização da sessão especial de emergência é prevista na resolução 377A “Unindo pela Paz”, que foi adotada pela Assembleia Geral em 3 de novembro de 1950. A reunião deve ser convocada dentro de 24 horas.

A nona sessão especial de emergência ocorreu em 1982. A décima sobre a situação no Oriente Médio, foi realizada em 1997, e permanece aberta. 

A sessão desta segunda-feira sobre a Ucrânia é considerada a 11ª. da lista desde a criação da ONU, em 1945.
 


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