ONU News Cerca de 4,16 milhões enfrentam risco de mutilação genital feminina em 2021 

Cerca de 4,16 milhões enfrentam risco de mutilação genital feminina em 2021 

As Nações Unidas marcam este 6 de fevereiro o Dia Internacional da Tolerância Zero à Mutilação Genital Feminina. 
De acordo com a organização, em muitas comunidades existe uma crença de que o procedimento, aliado ao casamento precoce, possa aumentar a probabilidade da vítima se casar. 

Efeitos 

O Fundo da ONU para a População, Unfpa, estima que mais de 200 milhões de mulheres e meninas em 31 países sobreviveram à mutilação genital. Dados recolhidos em estudos informais, relatos da mídia e outras análises apontam que a prática pode estar presente em mais de 90 países. 

Unicef//Getachew

Às vezes a MGF é um pré-requisito para o casamento e pode ter relação forte com o casamento infantil.

De acordo com a agência, somente este ano estima-se que 4,16 milhões de meninas e mulheres correm o risco de enfrentar mutilação genital em todo o mundo.

Com as restrições devido à Covid-19, as vítimas da prática podem ser 2 milhões a mais do que os casos que teriam sido evitados até 2030.

Infância  

O procedimento consiste em remover parcial ou totalmente a genitália externa feminina ou causar outro dano a esses órgãos. Não existem razões médicas para realizar a prática, que ocorre com frequência entre a infância e os 15 anos de idade.

Mesmo sem benefícios para a saúde, os efeitos imediatos e a longo prazo envolvem infecções e cicatrizes fora do normal, dor debilitante ou morte. 

Pobreza 

A ONU Mulheres e o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento, Pnud, apontam que o problema pode piorar com a previsão de que 96 milhões de pessoas podem ser empurradas para a pobreza extrema em 2021. 

Unicef/Samuel Leadismo

A MGF é gerada e perpetuada pela desigualdade de gênero

Nesse cenário, o receio é que a mutilação genital feminina e o casamento infantil sejam usados como mecanismos para aliviar as incertezas. As meninas e os grupos marginalizados correm um risco ainda maior. 

O fechamento de escolas propicia mais “oportunidades para se realizar a mutilação genital feminina em casa, o que aumenta o risco de complicações de saúde, bem como a transmissão de Covid-19”. 

Organizações  

A ONU Mulheres pede que a data seja um momento para promover mudanças e que haja mais espaço e influência contra a prática, financiar medidas que ajudem a combater o problema e incentivar organizações femininas a fazê-lo. 

A agência quer maior responsabilização em ações comunitárias e de Estado, apoio aos serviços de saúde e sociais para sobreviventes além de espaço para que meninas e adolescentes decidam sobre suas vidas e corpos.