Artigos Começam as apresentações formais dos candidatos a secretário-geral na ONU

Começam as apresentações formais dos candidatos a secretário-geral na ONU

Foto: ONU/Loey Felipe

Por Daniel Dickinson, artigo da ONU News

A seleção do décimo secretário(a)-geral da ONU, que irá assumir o cargo em janeiro de 2027, poderá moldar a diplomacia global, a resposta a crises em todo o mundo e a direção do sistema multilateral, na próxima década.

As principais questões atuais são: De qual país será o próximo chefe da ONU? Será que uma mulher será escolhida para liderar as Nações Unidas pela primeira vez em mais de 80 anos de história? E como é que os cinco membros permanentes do Conselho de Segurança irão superar as diferenças políticas que os dividem, num mundo cada vez mais fragmentado?

O papel do secretário-geral da ONU

O secretário-geral das Nações Unidas é o principal cargo oficial administrativo e diplomata da ONU e tem como funções:

  • Liderar o secretariado e as operações globais; 
  • levar ao Conselho de Segurança questões que ameaçam a paz internacional;
  • Atuar como mediador, defensor e porta-voz público em crises globais;
  • Implementar as decisões dos Estados-membros;

Quatro candidatos foram indicados para concorrer ao posto que será deixado pelo atual secretário-geral António Guterres: Michelle Bachelet (Chile), Rafael Grossi (Argentina), Rebeca Grynspan (Costa Rica) e Macky Sall (Senegal).

Foto: Nações Unidas / Quatro candidatos foram nomeados para suceder António Guterres como próximo secretário-geral das Nações Unidas, a partir do dia 1 de janeiro de 2027. Os candidatos são Michelle Bachelet (Chile), Rafael Grossi (Argentina), Rebeca Grynspan (Costa Rica) e Macky Sall (Senegal).

Quando são as eleições?

O(a) candidato(a) vencedor(a) irá assumir o cargo a 1 de janeiro de 2027 e o processo de seleção já está em andamento.

  • Em Novembro de 2025: Os Estados-membros são convidados a indicar candidatos até dia 1 de abril de 2026, contudo este prazo é flexível;
  • Entre 21 e 22 de abril de 2026: Os candidatos são questionados pelos Estados-membros da ONU e membros da sociedade civil em “Diálogos Interativos” televisionados na sala do Conselho de Tutela.
  • Final de julho de 2026: O Conselho de Segurança, composto por 15 membros, informa publicamente a escolha do nome a ser encaminhado numa carta à Assembleia Geral para votação.
  • Final de 2026: A Assembleia Geral da ONU formaliza a nomeação com o voto de pelo menos metade dos 193 Estados-membros.

Quem são os candidatos?

A lista geralmente inclui diplomatas, primeiros-ministros, membros da ONU e figuras internacionais de alto nível.

Até ao momento, foram indicados quatro candidatos, entre eles:

  • Michelle Bachelet, do Chile e apoiada pelo México e Brasil;
  • Rafael Grossi, da Argentina e apoiado pelo próprio país;
  • Rebeca Grynspan, da Costa Rica e apoiada pelo mesmo país;
  • Macky Sall, do Senegal, apoiado pelo Burundi;
UN Photo/Loey Felipe: Brasão da ONU no salão da Assembleia Geral.

Como funciona a votação:

  • Os candidatos devem ser indicados por, pelo menos, um Estado-membro da ONU;
  • Cada país pode apresentar um candidato (individualmente ou em conjunto);
  • A autoindicação não é permitida;
  • Candidatos adicionais podem ser indicados após o prazo de dia 1 de abril;

Regras informais:

  • Nacionais dos cinco membros permanentes do Conselho de Segurança (China, França, Rússia, Reino Unido e Estados Unidos), não são indicados;
  • Não existe uma política oficial de rotação regional em relação à origem do secretário(a)-geral, embora alguns defendam que é a “vez” da América Latina; Argumento apoiado pelo facto de três dos candidatos declarados serem da região;
  • A intermediação de poder na Assembleia Geral e no Conselho de Segurança;
  • O secretário(a)-geral é nomeado pela Assembleia Geral, composta por 193 Estados-membros, mediante a recomendação do Conselho de Segurança (conforme estabelecido no Artigo 97 da Carta da ONU). Embora o Conselho de Segurança tenha cinco membros permanentes com poder de veto, a nomeação final é feita pela Assembleia-Geral;

Para se tornar secretário(a)-geral, um candidato deve:

  • Obter apoio da maioria no Conselho de Segurança;
  • Evitar o veto de qualquer um dos membros permanentes do Conselho de Segurança;
  • Votações informais são realizadas entre os membros do Conselho de Segurança para indicar se apoiam, desencorajam ou não têm uma opinião específica sobre o candidato.
  • As votações informais continuam até que haja um candidato com maioria de votos, sem nenhum veto de um membro permanente do Conselho de Segurança.
Foto: ONU/Trygve Lie, da Noruega, foi o primeiro secretário-geral da ONU.

É provável que uma mulher seja eleita?

A pressão está a aumentar, mas não há garantias.

  • Desde a fundação da ONU, nove secretários-gerais ocuparam o cargo mas nenhuma mulher esteve na liderança;
  • Os Estados-membros são incentivados a indicar mulheres;

Contudo, o género não é um critério formal de seleção, embora seja encorajado em todos os editais de postos de trabalho das Nações Unidas, que incentiva o equilíbrio de género como o Objetivo 5 de Desenvolvimento Sustentável.

Política do Conselho de Segurança

A decisão final ainda depende do consenso dos membros permanentes do Conselho de Segurança. A discordância entre ou o impasse no CS sobre as recentes crises em Gaza, Ucrânia e Irão, refletem o desafio da tarefa. 

O(a) décimo(a) secretário(a)-geral seguirá os passos de:

  • António Guterres (Portugal), que tomou posse em janeiro de 2017;
  • Ban Ki-moon (República da Coreia), 2007 a 2016;
  • Kofi Annan (Gana), 1997 a 2006;
  • Boutros Boutros-Ghali (Egito), 1992 a 1996;
  • Javier Pérez de Cuéllar (Peru), 1982 a 1991;
  • Kurt Waldheim (Áustria), 1972 a 1981;
  • U Thant (Birmânia, hoje Mianmar), 1961 a 1971;
  • Dag Hammarskjöld (Suécia), 1953 a 1961;
  • Trygve Lie (Noruega), 1946 a 1952.

 *Daniel Dickinson é redator-sénior da ONU News Inglês.