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Conferência dos Oceanos arranca com apelo urgente à ação

© The Ocean Story / Vincent Kneefel | Até 12 milhões de toneladas métricas de plástico entram no oceano todos os anos — o equivalente a um camião do lixo a cada minuto.

A terceira Conferência dos Oceanos da ONU arrancou em Nice com um apelo urgente à ação. O secretário-geral da ONU, António Guterres, fez um alerta contundente sobre o impacto humano no oceano, desde a sobrepesca à poluição por plásticos e à destruição de ecossistemas marinhos. “O oceano é o nosso recurso partilhado por excelência, mas estamos a falhar-lhe”, afirmou. 

O evento reúne mais de 120 países e líderes mundiais, como o presidente do Brasil, Lula da Silva, e a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen. O presidente francês, Emmanuel Macron, destacou que o destino dos oceanos não pode ser ditado pelo mercado ou pela opinião pública, tem de ser guiado pela ciência. Alertou ainda para a ameaça da mineração em águas profundas, defendendo que explorar sem entender é um erro irreversível para a biodiversidade e o clima. 

A proteção dos oceanos exige um compromisso global. Macron reafirmou que as fossas oceânicas, a Gronelândia e a Antártida não podem ser exploradas comercialmente, sublinhando que “se a Terra está a aquecer, os oceanos estão a ferver”. Já o presidente da Costa Rica, Rodrigo Chaves Robles, defendeu um moratório sobre a mineração em águas profundas, uma posição já apoiada por 33 países. 

ONU News/Heyi Zou | O salão plenário da terceira Conferência dos Oceanos da ONU (UNOC3) em Nice.

Um dos grandes objetivos da conferência é acelerar a entrada em vigor do Tratado das Águas Internacionais (BBNJ), adotado em 2023 para proteger a vida marinha fora das jurisdições nacionais. Macron anunciou que a meta de ratificações necessárias está prestes a ser alcançada, garantindo que o tratado será implementado em breve. 

Ao longo da semana, delegações debatem temas como o tratado mundial sobre plásticos, o financiamento azul e os desafios da mineração oceânica. Espera-se que centenas de novos compromissos sejam anunciados, culminando na Declaração Política de Nice e no Plano de Ação para o Oceano, alinhado com a Convenção-Quadro Global de Biodiversidade de Kunming-Montreal. 

Apesar da urgência, há esperança. “O oceano dos nossos antepassados, repleto de vida e diversidade, pode ser mais do que uma lenda. Pode ser o nosso legado”, afirmou Guterres. Para isso, apelou a novos modelos financeiros para apoiar a conservação marinha e garantir que o ODS 14, sobre a vida nos oceanos, receba financiamento adequado.