A situação no Sudão continua a deteriorar-se com a intensificação dos combates entre as Forças Armadas Sudanesas (SAF) e as Forças de Apoio Rápido (RSF). A ONU alerta para as consequências devastadoras do conflito, que já deixou mais de 12 milhões de deslocados e expõe 24,6 milhões de pessoas à fome aguda.
O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, manifestou “profunda preocupação” com a intenção das RSF de estabelecer uma autoridade governamental nas zonas sob o seu controlo. Para Guterres, esta escalada agrava a fragmentação do país e compromete a sua estabilidade. O seu enviado especial, Ramtane Lamamra, está em contacto com ambas as partes para promover um cessar-fogo e garantir a proteção dos civis.
A violência atingiu novos níveis no Darfur do Norte, onde o campo de deslocados de Zamzam enfrenta condições de fome extrema. Há também relatos que confirmam o uso de armamento pesado e a destruição de infraestruturas essenciais. O Programa Alimentar Mundial (PAM) suspendeu a distribuição de alimentos na região devido aos combates.
Em Khartoum, há relatos de execuções sumárias, enquanto no sul do país os confrontos alastram-se para novas áreas, aumentando os riscos para civis e trabalhadores humanitários. O sistema de saúde colapsou, agravando a crise sanitária. O surto de cólera no Estado do Nilo Branco já resultou em mais de 1.600 infeções e 63 mortes. A ONU planeia vacinar um milhão de pessoas para conter a doença, mas a falta de acesso humanitário dificulta a resposta.
Edem Wosornu, do Escritório da ONU para a Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA), pediu ao Conselho de Segurança que garanta a proteção dos civis e o acesso irrestrito da ajuda humanitária. Também apelou a um maior financiamento internacional para responder às necessidades urgentes de 25 milhões de sudaneses e cinco milhões de refugiados nos países vizinhos.
A ONU reforça a necessidade de um compromisso global para travar a crise e aliviar o sofrimento da população civil.