Em destaque Corrupção custa vidas: a importância da cimeira da ONU em Doha

Corrupção custa vidas: a importância da cimeira da ONU em Doha

© Rabik Upadhayay | Young Nepalis a protestar contra a corrupção endémica na capital Catmandu, no início deste ano.

No ano passado, uma em cada cinco pessoas que lidou com um funcionário público foi obrigada a pagar um suborno, de acordo com um relatório da ONU. O mundo está a agir sobre esta questão.

Chefes de Estado, representantes da sociedade civil e líderes do setor privado irão discutir as questões mais prementes relacionadas com a corrupção e como combater este problema, numa conferência da ONU contra a corrupção (COSP11) que se realiza esta semana em Doha, Qatar.

“Quando a corrupção infecta o sistema judicial, os casos são mal geridos, a justiça é adiada ou negada e as vítimas são silenciadas”, afirmou a presidente da Assembleia Geral, Annalena Baerbock, na abertura da conferência.

O que é a COSP?

A decorrer de 15 a 19 de dezembro deste ano, a COSP é o maior encontro internacional dedicado ao combate à corrupção e ao crime económico.

É o principal órgão decisório da Convenção das Nações Unidas contra a Corrupção, o único tratado universal anticorrupção com carácter legalmente vinculativo.

Esta sessão, intitulada Shaping Tomorrow’s Integrity (Moldar a Integridade do Amanhã), irá abordar o papel da IA e das novas tecnologias para corresponder à realidade dos padrões complexos de crime de hoje.

As ligações entre a corrupção e o crime financeiro e organizado também estarão em foco, bem como as medidas que os países podem adotar para melhorar a transparência dos seus sistemas financeiros públicos e os esforços anticorrupção no setor privado.

A tecnologia pode ajudar ou prejudicar 

“O rápido avanço da tecnologia oferece aos agentes corruptos novas ferramentas para esconder ativos, falsificar documentos e operar entre jurisdições”, alertou John Brandolino, diretor executivo interino do Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC).

Reconheceu, no entanto, que a tecnologia também pode ser uma força “transformadora” contra a corrupção, especialmente ao apoiar investigações.

“Os governos precisam de trabalhar para colher os benefícios de soluções inovadoras”, disse Brandolino, acrescentando que estas soluções tecnológicas devem respeitar os direitos humanos e fechar as brechas que permitem aos criminosos usar indevidamente as ferramentas digitais.

© UNODC | Local da décima primeira sessão da Conferência dos Estados Partes da Convenção das Nações Unidas contra a Corrupção, realizada em Doha, Qatar.

Por que é que a COSP é importante

A corrupção priva as pessoas de necessidades básicas, como educação, saúde, água potável e infraestruturas.

A conferência pretende transformar compromissos internacionais em ação, avaliando como os países aplicam o tratado anticorrupção e reforçando a cooperação entre fronteiras.

As decisões da COSP têm levado a mudanças reais, incluindo a criação de um sistema de revisão por pares que ajudou 146 países a melhorar as suas leis e políticas anticorrupção.

“Moldar a integridade do amanhã significa proteger as pessoas de serem exploradas pelo crime e pela corrupção”, afirmou Brandolino. “E também significa proteger as nossas aspirações partilhadas para o futuro.”

*Artigo de autoria da ONU News