Nos últimos 10 dias foi documentada “uma série de desenvolvimentos profundamente preocupantes no Iêmen que tiveram um sério impacto sobre os civis em todo o país, inclusive em Aden, Taiz, Sanaa, Sadaa, Al Dhale e outras áreas.”
Em nota divulgada na terça-feira, em Genebra, a porta-voz do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos disse que grupos armados afiliados à al-Qaeda e ao grupo terrorista Estado Islâmico do Iraque e do Levante, Isil, também parecem ter intensificado suas atividades no país.
Mortes
Ravina Shamdasani disse que desde o dia 27 de julho, o Escritório de Direitos Humanos da ONU verificou a morte de 19 civis em Taiz, Saada e Aden, além de 42 pessoas feridas. A maioria das mortes teria ocorrido durante um ataque na área do mercado de Al Thabet na província de Saada, em 29 de julho.
Na ação, 14 civis foram mortos e 26 ficaram feridos. Segundo Shamdasani, há relatos contraditórias sobre qual parte do conflito realizou os ataques.
Ataques
Em 28 de julho, forças militares e comitês populares afiliados aos combatentes houthis teriam supostamente lançado ataques indiscriminados no bairro de Al-Rawdhah em Taiz, matando uma criança e ferindo três outros civis. A situação se seguiu a ataques semelhantes de forças afiliadas aos houthis nos dias anteriores.
A porta-voz disse que também houve relatos de ataques a instalações médicas e educacionais, incluindo um incidente em 31 de julho que danificou um departamento de emergência do hospital e ambulâncias em Taiz.
Em Aden e Abyan, no sul do país, uma série de ataques teria ocorrido nos dias 1 e 2 de agosto contra uma delegacia de polícia e campos militares. De acordo com Shamdasani, o Isil reivindicou a responsabilidade pelo ato contra a delegacia.
Míssil
Um míssil balístico supostamente lançado pelos Houthis foi responsável pelo ataque em 1º de agosto em Aden durante uma parada militar, enquanto grupos armados afiliados à Al Qaeda supostamente atacaram outro campo militar na província de Abyan, em 2 de agosto.
Em aparente retaliação a esses atos, as forças do “Cinto de Segurança” estariam realizando e possibilitando ações de retaliação contra civis da parte norte do Iêmen. Os civis estariam cercados, sendo agredidos, assediados e deslocados à força para as áreas fronteiriças com outras províncias.
Prisões
O Escritório de Direitos Humanos da ONU recebeu informações de várias fontes sobre prisões e detenções arbitrárias, deslocamento forçado, agressões físicas e assédio, assim como saques e vandalismo cometidos pelas forças de segurança contra centenas de pessoas da região norte do país.
A porta-voz disse que o Escritório de Direitos Humanos das Nações Unidas lembra às partes do conflito que tais prisões e deslocamentos forçados violam as leis internacionais de direitos humanos e humanitária.
As partes de um conflito armado não internacional não podem ordenar o deslocamento da população civil, no todo ou em parte, por razões relacionadas ao conflito, a menos que esse seja exigido pela segurança dos civis envolvidos ou razões militares imperativas.
Deslocados
Shamdasani disse que informações sobre o número de pessoas deslocadas e os detalhes das violações a que foram submetidas continuam a ser coletadas, mas que relatos iniciais sugerem que centenas de pessoas já foram deslocadas.
O Escritório de Direitos Humanos da ONU continua também profundamente preocupado com a situação em Al Dhale, no sudoeste do Iêmen. A região teve uma escalada das operações militares em março de 2019, que incluem o uso de minas terrestres, ataques aéreos, bombardeios e combate em terra.
Água
A única reserva de água em Al Dhale está supostamente sob o controle dos houthis e muitas bombas de água pararam de funcionar ou foram danificadas, cortando assim o abastecimento de água para partes da população.
A ONU pede a todas as partes envolvidas no conflito que tentem reduzir a situação e garantam que quaisquer ataques a civis e infraestruturas civis sejam significativamente investigados. Outro apelo é que os autores dessas ações sejam levados à justiça.

