O secretário-geral da ONU disse esta sexta-feira à Cúpula Global da Saúde que o mundo está em guerra com o novo coronavírus. António Guterres declarou que nessa situação é preciso lidar com as armas disponíveis aplicando “as regras de uma economia de guerra”.
Na cúpula virtual do G-20, que reúne as maiores economias do mundo incluindo o Brasil, o líder das Nações Unidas declarou que ainda não se chegou a esse estágio em relação a questões como vacinas e outros componentes do combate ao vírus.
Capacidade
O mecanismo Covax para acesso justo a imunizantes já deveria ter entregado 170 milhões de doses em todo o mundo. Mas o chefe da ONU citou o “nacionalismo da vacina, a capacidade de produção limitada e a falta de financiamento” como fatores que influenciam na distribuição de somente 65 milhões de doses até agora.
O pedido aos países do G-20 é para que “deem o exemplo e contribuam com sua cota total de financiamento” porque “um investimento de bilhões pode acabar poupando trilhões e salvando vidas.”
Para ele, a pandemia ainda está “muito presente, crescendo e se transformando”. O receio é que com a aproximação do inverno no Sul Global, aconteça o pior.
Guterres aponta a vacinação rápida e completa em todo o mundo, juntamente com medidas contínuas de saúde pública, como a única maneira de acabar com a pandemia e evitar que variantes mais perigosas se instalem.
Doses
Até o momento, mais de 82% das doses se destinaram a países ricos. Apenas 0,3% foram enviadas a nações de baixa renda.
O evento realizado pela Comissão Europeia e pela Itália, como presidente do G-20, pretende que Estados-membros e convidados, chefes de organizações internacionais e órgãos globais de saúde compartilhem lições aprendidas com a pandemia. Outra meta é criar e endossar uma ‘Declaração de Roma’ de princípios.
O secretário-geral realça que o documento é um passo significativo para fornecer igualdade de acesso às vacinas. No entanto, pediu um mecanismo de seguimento respaldado pela vontade política de traduzi-lo em um plano global de vacinação.
Guterres lembrou ainda que existem muitas iniciativas além das anunciadas no evento, mas apelou que se esteja certo de que estas “adicionam em vez de subtrair” e garantias de uma coordenação entre elas.
De acordo com a Organização Mundial da Saúde, OMS, desde o ano passado os casos do vírus aumentaram 40 vezes, para 162 milhões no mundo. Os óbitos subiram 11 vezes, para mais de 3,3 milhões.