Junho de 2026 foi o mês de junho mais quente alguma vez registado na Europa Ocidental e o segundo mais quente à escala global, segundo o Serviço de Alterações Climáticas Copernicus (C3S). O fenómeno foi impulsionado pelas temperaturas recorde da superfície dos oceanos, que atingiram os valores mais elevados já observados para este mês, contribuindo para um aumento significativo do calor atmosférico.
A vaga de calor prolongou-se para julho e continua a afetar várias regiões da Europa, alimentando incêndios florestais devastadores em França e na Península Ibérica. Em Barcelona, o Observatório Fabra registou 40,5°C a 8 de julho, a temperatura mais elevada em mais de um século de observações. Em França, as autoridades emitiram alertas devido ao calor extremo e ao elevado risco de incêndios associado à seca e à baixa humidade.
De acordo com a Organização Meteorológica Mundial (OMM), as ondas de calor extremas estão a tornar-se mais frequentes, intensas e duradouras devido às alterações climáticas. Nos últimos 50 anos, a Europa aqueceu cerca de 2°C, tornando-se o continente com o aquecimento mais rápido. Os especialistas alertam que episódios como o atual são consistentes com as projeções científicas para um clima em mudança.
Durante junho, a Europa Ocidental enfrentou simultaneamente ondas de calor terrestre e marítima. O Mediterrâneo Ocidental e parte da costa atlântica registaram temperaturas oceânicas excecionalmente elevadas. A nível global, a temperatura média da superfície do mar foi a mais alta já registada para junho, ultrapassando ligeiramente o recorde anterior estabelecido em 2024.
Proteção Solar. Uma mulher caminha por uma rua de Torremolinos, em Espanha, protegendo-se o melhor que pode do sol escaldante.
David Montero Rodriguez/GHHIN-EJN Concurso de Fotografia sobre Calor Extremo 2025.
O calor extremo bateu recordes em vários países europeus. A Alemanha registou temperaturas até 41,7°C e centenas de estações meteorológicas reportaram máximos históricos. França alcançou uma temperatura média nacional recorde de 30°C num único dia, enquanto Espanha, Reino Unido, Países Baixos, Áustria, Suíça, Hungria, Polónia, Chéquia e Dinamarca também registaram novos máximos para o mês de junho.
Além das temperaturas elevadas, a combinação de calor extremo e falta de precipitação agravou as condições de seca em vastas áreas da Europa, aumentando o risco de incêndios florestais. A vaga de calor teve ainda impactos significativos na saúde pública, incluindo mortes relacionadas com o calor. Os especialistas destacam que as temperaturas mínimas noturnas elevadas são particularmente perigosas, pois impedem a recuperação do organismo após dias de calor intenso.
Perante este cenário, a OMM, em conjunto com a Organização Mundial da Saúde e outros parceiros internacionais, está a reforçar sistemas de alerta precoce e planos de ação para proteger as populações mais vulneráveis. As Nações Unidas apelam a uma maior cooperação internacional para enfrentar o risco crescente associado ao calor extremo, sublinhando que a adaptação e a mitigação das alterações climáticas são cada vez mais urgentes.