FAO pede liderança firme para erradicar trabalho infantil na agricultura

Acabar com o trabalho infantil até 2025 exigirá ação eficaz e liderança forte, afirmou o diretor geral da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação, FAO, Qu Dongyu, durante a abertura de fórum virtual sobre o assunto.

O evento foi promovido com o apoio da Organização Internacional do Trabalho, OIT, e participaram representantes da ONU e do papa Francisco para mobilizar a ação global e buscar soluções para erradicar o trabalho infantil na agricultura.

A OIT tem trabalhado para a abolição do trabalho infantil ao longo dos seus 100 anos de história.

Foto: Unicef/Frank Dejongh

A OIT tem trabalhado para a abolição do trabalho infantil ao longo dos seus 100 anos de história.

Agricultura 

A entidade da ONU informou que o trabalho infantil é uma realidade de mais de 160 milhões de crianças em todo o mundo. O número representa uma em cada dez. De acordo com a FAO, cerca de 70% dessas crianças trabalham na produção agrícola, pecuária, silvicultura, pesca e aquicultura.

A diretora executiva do Unicef, Henrietta Fore, lembrou que o trabalho infantil é uma violação grave dos direitos humanos, mas muitas famílias vulneráveis não têm escolha. Ela disse que as soluções passam pelo o fornecimento de apoio financeiro para comunidades vulneráveis.

Fore afirmou que é preciso concentrar esforços significativos nas áreas rurais, com as famílias, “onde a agricultura é uma importante fonte de sustento”.

O trabalho infantil é geralmente definido como o trabalho que priva as crianças de sua infância, de seu potencial e de sua dignidade, e é prejudicial ao seu desenvolvimento físico e mental. 

Segundo o relatório, 70% do trabalho infantil ocorre na agricultura com 112 milhões de menores. Depois vem o setor de serviços com 20% e a indústria com 10%

OIT/ J. Maillard

Segundo o relatório, 70% do trabalho infantil ocorre na agricultura com 112 milhões de menores. Depois vem o setor de serviços com 20% e a indústria com 10%

Subsistência

No discurso de abertura, o diretor-geral da OIT, Guy Ryder, disse que o trabalho infantil pode ser evitado. Ele reforçou que a atividade não pode ser vista como uma saída para a pobreza. 

Ryder acredita que o problema pode se transformar em algo “intergeracional” e que as entidades precisam ajudar as pessoas a sair deste círculo vicioso.

Os representantes explicaram que os principais fatores que contribuem para o trabalho infantil nas áreas rurais são baixa renda familiar, poucas alternativas de subsistência, acesso limitado à educação e às inovações.

A pandemia de Covid-19 teve efeitos negativos na subsistência de pequenos agricultores, especialmente nas áreas rurais, aumentando o risco de muitas crianças caírem no trabalho infantil.

Ações

A FAO informou que está promovendo esforços para aumentar a renda das famílias rurais, para que tenham meios de mandar seus filhos para a escola em vez de trabalhar.

O diretor da entidade afirmou que o apoio aos jovens das áreas rurais é fundamental, possibilitando que se “prepararem para o futuro por meio de educação relevante e desenvolvimento de habilidades”, permitindo que tenham oportunidades decentes de emprego.

O evento online é organizado no contexto do Ano Internacional para a Eliminação do Trabalho Infantil e reúne representantes governamentais, produtores e associações, setor privado, sociedade civil, entre outros.
 


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