FMI amplia linha de crédito para São Tomé e Príncipe apostando na recuperação

O Fundo Monetário Internacional, FMI, vai desembolsar cerca de US$ 2,7 milhões à São Tomé e Príncipe após decisão de ampliar o crédito ao país na última semana. No total, a nação africana deve receber cerca de US$ 15 milhões do órgão.

O apoio do Conselho Executivo do FMI deve ajudar a cobrir as necessidades de financiamento, apoiar as despesas sociais e a impulsionar a recuperação pós-pandemia.

Sede do FMI em Washington, nos Estados Unidos

IMF/Henrik Gschwindt de Gyor

Sede do FMI em Washington, nos Estados Unidos

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Segundo o diretor administrativo adjunto do FMI, o desempenho de São Tomé e Príncipe no escopo apoiado pela entidade tem sido “amplamente satisfatório”. 

Bo Li adicionou que a estabilidade macroeconômica foi mantida apesar dos múltiplos desafios e da Covid-19, que atrasou algumas reformas estruturais. Outras dificuldades vieram de fatores externos e resultaram num crescimento menor e aumento da inflação em 2021.

De acordo com os dados do FMI, o crescimento do país foi de 1,8% no ano passado, abaixo dos 3% em 2020. No entanto, as perspectivas econômicas permanecem favoráveis, com previsão de 2,3% de alta este ano e 2,8% em 2023. 

Para o diretor adjunto do Fundo, agora é necessário implementar com rapidez iniciativas para apoiar o crescimento inclusivo e verde e melhorar a competitividade externa.

Instabilidade global

De acordo com o FMI, embora o apoio internacional e as ações de São Tomé e Príncipe estejam ajudando a enfrentar os impactos socioeconômicos e de saúde, a economia deve sentir os efeitos negativos da guerra na Ucrânia.

Além do conflito, as interrupções prolongadas nas cadeias de suprimentos globais podem levar à escassez de bens de consumo intermediários e finais, desaceleração do crescimento e aumentos de preços. 

Outro desafio para a recuperação do país é o aumento dos preços internacionais dos combustíveis, que pode agravar os cortes de energia e a subir as taxas de inflação.

Reformas

O FMI também alerta para os atrasos nas reformas de receitas, que podem reduzir o espaço fiscal para gastos sociais e de desenvolvimento. 

Para Bo Li, os esforços para modernizar os quadros jurídicos monetários e financeiros devem continuar a ser uma prioridade. 

Ele adiciona que, com as pressões inflacionárias, a gestão ativa de liquidez deve ancorar a indexação ao Euro e apoiar o acesso ao crédito e a recuperação econômica. 

Li diz que o Banco Central São Tomé e Príncipe deve reforçar sua capacidade de gestão ativa de riscos e vulnerabilidades no setor financeiro.

São Tomé e Príncipe tem um acordo de 40 meses, aprovado em 2 de outubro de 2019, em cerca de US$ 18,15 milhões, ou 90% da cota do país.  

Além de restaurar a estabilidade macroeconômica, o programa busca reduzir a vulnerabilidade da dívida, aliviar as pressões do balanço de pagamentos e criar as bases para um crescimento forte e inclusivo.
 


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