No seu discurso na abertura da Assembleia Geral, o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, recordou os 80 anos da fundação da organização e destacou que, tal como em 1945, o mundo enfrenta novamente uma encruzilhada decisiva. Nascida da devastação da guerra, a ONU representou uma escolha pela cooperação, pelo direito e pela paz. Hoje, afirmou, esta escolha volta a estar em causa, perante conflitos persistentes, desigualdades crescentes, alterações climáticas aceleradas e avanços tecnológicos sem regulação adequada.
No centro da intervenção de Guterres esteve um apelo claro: “Agora é o momento de escolher”. O secretário-geral apresentou cinco opções críticas que determinarão o futuro da comunidade internacional: consolidar a paz baseada no direito internacional, defender os direitos humanos e a dignidade humana, assegurar a justiça climática, colocar a tecnologia ao serviço da humanidade e reforçar as Nações Unidas para o século XXI.
Ao abordar os conflitos em curso, o diplomata português destacou o sofrimento civil no Sudão, a destruição na Ucrânia e os horrores em Gaza, que classificou como os mais devastadores do seu mandato. Reiterou a necessidade de um cessar-fogo imediato, da libertação dos reféns e da implementação das medidas do Tribunal Internacional de Justiça. Enfatizou ainda que a paz duradoura no Médio Oriente só será possível com a solução de dois Estados.
António Guterres apontou igualmente a urgência de reformar a arquitetura financeira internacional para combater a pobreza e a desigualdade, bem como de acelerar a transição energética justa e inclusiva. No campo da tecnologia, apelou à criação de normas globais para a inteligência artificial e outras inovações disruptivas, insistindo que “nenhuma empresa deve estar acima da lei” e que a tecnologia deve servir a dignidade e os direitos humanos.
No encerramento, partilhou a sua experiência pessoal de resistência sob uma ditadura, sublinhando que “o verdadeiro poder surge das pessoas”. Guterres também deixou uma mensagem de perseverança e compromisso: a ONU deve adaptar-se e inovar para continuar a ser um pilar da paz, da justiça e da humanidade. E concluiu: “Nunca devemos desistir. Eu nunca, jamais, desistirei.”