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Guterres apela a escolhas urgentes para a paz, a dignidade e a justiça na abertura da Assembleia Geral da ONU

UN Photo/Loey Felipe | O Secretário-Geral António Guterres discursa na abertura do debate geral da octogésima sessão da Assembleia Geral. Atrás dele, no pódio, estão Annalena Baerbock (à esquerda), Presidente da octogésima sessão da Assembleia Geral das Nações Unidas, e Movses Abelian, Secretário-Geral Adjunto para a Assembleia Geral e Gestão de Conferências (DGACM).

No seu discurso na abertura da Assembleia Geral, o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, recordou os 80 anos da fundação da organização e destacou que, tal como em 1945, o mundo enfrenta novamente uma encruzilhada decisiva. Nascida da devastação da guerra, a ONU representou uma escolha pela cooperação, pelo direito e pela paz. Hoje, afirmou, esta escolha volta a estar em causa, perante conflitos persistentes, desigualdades crescentes, alterações climáticas aceleradas e avanços tecnológicos sem regulação adequada.

No centro da intervenção de Guterres esteve um apelo claro: “Agora é o momento de escolher”. O secretário-geral apresentou cinco opções críticas que determinarão o futuro da comunidade internacional: consolidar a paz baseada no direito internacional, defender os direitos humanos e a dignidade humana, assegurar a justiça climática, colocar a tecnologia ao serviço da humanidade e reforçar as Nações Unidas para o século XXI.

Ao abordar os conflitos em curso, o diplomata português destacou o sofrimento civil no Sudão, a destruição na Ucrânia e os horrores em Gaza, que classificou como os mais devastadores do seu mandato. Reiterou a necessidade de um cessar-fogo imediato, da libertação dos reféns e da implementação das medidas do Tribunal Internacional de Justiça. Enfatizou ainda que a paz duradoura no Médio Oriente só será possível com a solução de dois Estados.

UN Photo/Manuel Elías | Uma vista das delegações presentes no primeiro dia do debate geral da octogésima sessão da Assembleia Geral das Nações Unidas.

António Guterres apontou igualmente a urgência de reformar a arquitetura financeira internacional para combater a pobreza e a desigualdade, bem como de acelerar a transição energética justa e inclusiva. No campo da tecnologia, apelou à criação de normas globais para a inteligência artificial e outras inovações disruptivas, insistindo que “nenhuma empresa deve estar acima da lei” e que a tecnologia deve servir a dignidade e os direitos humanos.

No encerramento, partilhou a sua experiência pessoal de resistência sob uma ditadura, sublinhando que “o verdadeiro poder surge das pessoas”. Guterres também deixou uma mensagem de perseverança e compromisso: a ONU deve adaptar-se e inovar para continuar a ser um pilar da paz, da justiça e da humanidade. E concluiu: “Nunca devemos desistir. Eu nunca, jamais, desistirei.”