O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, participou este domingo na 17.ª Cimeira do BRICS, no Rio de Janeiro, onde defendeu uma resposta multilateral à inteligência artificial, reformas urgentes nas instituições globais e a necessidade de pôr fim aos conflitos armados em curso.
Inteligência artificial com foco nos direitos humanos
No seu discurso, Guterres alertou para os riscos da instrumentalização da inteligência artificial, sobretudo em contextos de conflito, sublinhando a importância de orientar essa transformação com sabedoria, responsabilidade e foco no bem comum.
“O fundamental é como conduzimos esta transformação. Como minimizamos os riscos e maximizamos o seu potencial para o bem”, afirmou. Para o secretário-geral, a IA não pode ser um “clube restrito a alguns”, mas deve beneficiar todos, com especial atenção aos países em desenvolvimento, que devem ter uma voz real na sua governação global.
Guterres reforçou ainda o apelo à paz em várias regiões do mundo, começando pela Palestina, com um cessar-fogo permanente em Gaza, a libertação incondicional de reféns, o fim da violência na Cisjordânia e o respeito pela solução de dois Estados.
Referiu-se também à necessidade de uma paz justa e sustentável na Ucrânia, em conformidade com a Carta da ONU, e ao fim imediato da violência no Sudão. A lista inclui ainda a República Democrática do Congo, a Somália, o Sahel e Myanmar.
Reformas para um mundo multipolar
O secretário-geral destacou que o mundo vive hoje numa realidade multipolar, mas as instituições internacionais continuam ancoradas num sistema ultrapassado. “Foram concebidas para uma era passada, com um sistema de poder que já não existe”, afirmou.
Guterres defendeu a reforma urgente do Conselho de Segurança da ONU e da arquitetura financeira internacional. Lembrou as conclusões da Conferência sobre o Financiamento do Desenvolvimento, realizada recentemente em Sevilha, que apelaram ao reforço da participação dos países em desenvolvimento, à criação de mecanismos eficazes de reestruturação da dívida e ao aumento da capacidade dos bancos multilaterais de desenvolvimento, com financiamento em condições mais favoráveis e em moedas locais.
Concluindo, Guterres lembrou que, num momento em que o multilateralismo é desafiado, é urgente restaurar a confiança entre os países. “A cooperação é a maior inovação da humanidade. E tudo começa pela confiança e a confiança começa com todos os países a respeitarem o Direito Internacional, sem exceções.”
O secretário-geral reiterou o apelo à modernização do sistema multilateral para que este funcione verdadeiramente ao serviço de todos, em todo o mundo.