O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, apelou esta sexta-feira a Israel para que aceite o plano humanitário da ONU para Gaza, composto por cinco fases operacionais e sustentado por princípios fundamentais do direito internacional. Guterres foi claro: a organização não participará em qualquer esquema de distribuição de ajuda que não respeite os princípios de humanidade, imparcialidade, independência e neutralidade.
O apelo surge num momento crítico, em que os civis na Faixa de Gaza enfrentam níveis extremos de sofrimento. A intensificação das operações militares e o bloqueio quase total às entradas de ajuda estão a privar a população de alimentos, água potável, combustível e medicamentos. O norte de Gaza permanece praticamente inacessível, e a escassa ajuda que entra não é suficiente para responder às necessidades de milhões de pessoas.
Nos hospitais, a situação é dramática. Unidades de saúde encerradas, profissionais exaustos e recursos esgotados deixam milhares de feridos e doentes sem tratamento. Famílias deslocadas, muitas sem acesso a comida ou abrigo, enfrentam complicações médicas graves, incluindo crianças doentes por falta de alimentação e medicamentos.
Segundo Guterres, a ONU e os seus parceiros têm capacidade operacional para agir: os sistemas logísticos, as redes de distribuição e as relações com as comunidades locais estão montadas, e cerca de 160 mil paletes de ajuda – suficientes para encher quase 9 mil camiões – aguardam autorização para entrar. Sem acesso humanitário seguro, previsível e contínuo, mais vidas estarão em risco, com efeitos devastadores a longo prazo.
O plano da ONU inclui cinco fases: entrada da ajuda em Gaza, triagem nos pontos de passagem, transporte para armazéns, preparação da distribuição e entrega direta à população. Para o secretário-geral, a prioridade é clara: garantir ajuda imediata e eficaz à população civil e pôr fim ao sofrimento prolongado de quem vive há semanas em condições insustentáveis.