O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, apelou esta terça-feira, 22 de julho, a uma transformação profunda e urgente dos sistemas energéticos mundiais, durante um discurso especial sobre ação climática intitulado “A Moment of Opportunity”, transmitido a partir da sede da ONU em Nova Iorque. A intervenção destacou as oportunidades económicas associadas à transição energética e identificou os principais obstáculos que ainda impedem o avanço necessário para travar a crise climática.
Na ocasião, Guterres lembrou os progressos registados desde a adoção do Acordo de Paris, há uma década, sublinhando que o mundo entrou numa nova era: a era da energia limpa. Em 2023, quase toda a nova capacidade energética instalada veio de fontes renováveis, e os investimentos em energia limpa ultrapassaram em 800 mil milhões de dólares os destinados a combustíveis fósseis.
“A energia solar e eólica são hoje as fontes de eletricidade mais baratas do planeta. Estão a criar empregos, a impulsionar o crescimento económico e a garantir segurança energética”, afirmou. “Mas a transição ainda não é suficientemente rápida, nem justa.”
O secretário-geral alertou que os países que continuam a apostar nos combustíveis fósseis não estão a proteger as suas economias, mas sim a comprometer o seu futuro, ao ignorarem aquela que considera ser “a maior oportunidade económica do século XXI”.
No seu discurso, Guterres delineou seis áreas de ação prioritária para acelerar uma transição justa e inclusiva:
- Compromisso político firme com a energia limpa, refletido em planos climáticos nacionais ambiciosos e alinhados com o objetivo de limitar o aquecimento global a 1,5 °C.
- Investimento em redes e armazenamento, fundamentais para maximizar o potencial das energias renováveis.
- Satisfação da procura energética com renováveis, incluindo o compromisso de grandes empresas tecnológicas em alimentar centros de dados com energia limpa.
- Justiça na transição, com apoio às comunidades dependentes de combustíveis fósseis e reforma das cadeias de fornecimento de minerais críticos.
- Reforma do comércio internacional, para diversificar cadeias de abastecimento e modernizar os tratados de investimento.
- Financiamento adequado para países em desenvolvimento, com especial atenção ao continente africano, que em 2023 recebeu apenas 2% do investimento global em renováveis, apesar de deter 60% dos melhores recursos solares. O discurso foi acompanhado pela publicação de um relatório técnico das Nações Unidas sobre o potencial económico da transição energética, que identifica as áreas-chave de intervenção e as medidas necessárias para acelerar esta nova era impulsionada por fontes renováveis, eficiência energética e eletrificação. Em paralelo, a Agência Internacional de Energias Renováveis (IRENA) lançou o relatório Renewable Power Generation Costs in 2024, que analisa a evolução recente dos custos da energia limpa.
Guterres terminou a sua intervenção com um apelo claro: “Uma nova era energética está ao nosso alcance — uma era de energia barata, limpa e abundante. Este é o nosso momento de oportunidade. Vamos aproveitá-lo”