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Guterres: mensagem por ocasião dos 3 anos sobre os ataques de 7 de outubro de 2023

O Secretário-Geral António Guterres abre o debate geral da octogésima primeira sessão da Assembleia Geral. O tema do debate é: “Restaurar a confiança, gerir a transformação: umas Nações Unidas que produzem resultados para todos”. Foto ONU/ Loey Felipe

O SECRETÁRIO-GERAL

7 DE OUTUBRO DE 2026

Há três anos, a 7 de outubro de 2023, o Hamas e outros grupos armados palestinianos lançaram um ataque terrorista abominável e de grande escala contra Israel, matando brutalmente mais de 1.200 israelitas e cidadãos estrangeiros.

Os civis foram deliberadamente visados e assassinados nas suas casas, nas suas comunidades e num festival de música.

Um total de 251 pessoas foram raptadas e levadas para a Faixa de Gaza como reféns, incluindo mulheres, crianças e idosos.Os captores submeteram os reféns a abusos horríveis em cativeiro, incluindo tortura e outras formas de tratamento cruel, desumano ou degradante, bem como violência sexual.

Alguns foram mortos pelos captores ou durante as hostilidades que se seguiram.

Nada pode justificar estas atrocidades.

Passados três anos, a dor do 7 de outubro persiste para as famílias que perderam entes queridos, para os sobreviventes e para todos aqueles cujas vidas mudaram para sempre.

Reuni-me com famílias israelitas cujos mundos foram despedaçados nesse dia e ouvi sobreviventes que continuam a carregar profundas cicatrizes físicas e emocionais.

Ouvi antigos reféns falar sobre o tormento impensável que eles e outros cativos sofreram enquanto estiveram retidos em Gaza em condições deploráveis, bem como a angústia e a incerteza suportadas pelas respetivas famílias ao longo do cativeiro.

Sinto um profundo alívio por todos aqueles que recuperaram a liberdade e se reuniram com os seus entes queridos.

Lamento profundamente aqueles que foram mortos nos ataques e os que morreram em cativeiro.

O seu sofrimento e o luto persistente das suas famílias, nunca devem ser esquecidos.

Estes horrores nunca devem voltar a repetir-se.

As hostilidades devastadoras que se seguiram infligiram um sofrimento indescritível aos palestinianos em Gaza, incluindo perdas massivas de vidas, deslocações e destruição.

Os civis continuam a suportar condições intoleráveis.

O sofrimento deles também exige um fim, agora.

O cessar-fogo do ano passado trouxe algum alívio.

No entanto, ainda não garantiu segurança, assistência humanitária adequada ou um caminho credível para a recuperação e a paz.

Apelo a todas as partes para que cumpram integralmente os seus compromissos e avancem para a próxima fase do cessar-fogo, com base no Plano Abrangente para Terminar o Conflito em Gaza.

Está na hora de o cessar-fogo se tornar permanente.

Está na hora de permitir ajuda humanitária em grande escala.

E está na hora de respeitar o direito internacional.

Temos de construir o caminho político para uma paz duradoura em toda a região.

As Nações Unidas mantêm-se firmes no seu compromisso com estes objetivos.

Que este aniversário marque não apenas mais um ano de luto, mas também uma determinação renovada de construir um futuro diferente: um futuro em que israelitas e palestinianos possam viver lado a lado em paz e segurança, com os seus direitos, a sua dignidade e as suas aspirações plenamente realizados.