De que se trata a crise?
De acordo com a Agência das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR), pelo menos, 423.845 pessoas foram deslocadas internamente nas Honduras, como resultado da violência generalizada. Este número equivale a cerca de 4.5% da população do país.
Muitas pessoas fugiram para o estrangeiro, especialmente para o México e para os Estados Unidos. O Conselho Norueguês de Refugiados considera a crise nas Honduras como uma das dez crises mais negligenciadas do mundo.
O contexto da crise
A crise de deslocamentos deve-se à combinação da violência, pobreza, crime organizado, fragilidade institucional e desastres relacionados com o clima.
Um dos maiores motores da crise é a violência proveniente de gangues como os MS-13 e Barrio 18. Estes grupos controlam bairros, extorquem negócios, recrutam crianças e ameaçam famílias. Muitas pessoas fogem após receberem ameaças de morte ou por recusarem pagamentos de extorsão.
O ACNUR descreve as Honduras como um país que enfrenta “violência, crime organizado, extorsão, violações de Direitos Humanos e violência de género”. Todos estes fatores contribuem para os deslocamentos forçados da população.
Mulheres, crianças, pessoas LGBTQI+, jornalistas e ativistas estão especialmente vulneráveis. As Honduras têm uma das maiores taxas de femicídios da América Latina e os gangues visam os mais jovens para recrutamento forçado.
Este é um dos países mais pobres da região. O ACNUR reportou níveis de pobreza de cerca de 64% em 2023, o que agrava a vulnerabilidade aos deslocamentos. As altas taxas de desemprego, as desigualdades e os serviços públicos limitados deixam muitas famílias incapazes de sobreviver em segurança, no local onde vivem.
A população enfrenta ainda outras ameaças, tais como: violência associada ao desemprego, condições de habitação inadequadas e insegurança alimentar. Isto faz com que a migração pareça a única opção.
Para além disso, as Honduras estão extremamente vulneráveis a furacões, inundações e secas. Os choques climáticos destroem casas, plantações e infraestruturas. Os furacões Eta e Iota de 2020, afetaram mais de 4 milhões de pessoas e deslocaram um grande número de residentes.
Muitos Hondurenhos não confiam na polícia nem no sistema judicial para os proteger. A corrupção, a impunidade e a presença limitada do Estado permitem que os grupos criminosos operem livremente, em algumas áreas do país.
Apesar da população denunciar ameaças, as autoridades são frequentemente impedidas ou relutantes em oferecer proteção. Isto incentiva ao deslocamento repetido e à constante migração.
As Honduras também se tornaram numa das principais fontes de caravanas de migrantes e requerentes de asilo.
Qual é o impacto?
O deslocamento forçado afeta significativamente a segurança habitacional, a continuidade da educação e a estabilidade de rendimento, enquanto que as pessoas em movimentos mistos requerem abrigo urgente e apoio às necessidades básicas.
A sociedade civil local reportou mais de 620 homicídios até meados de abril de 2026, o que reflete preocupações contínuas de segurança, quando comparado com o mesmo período de 2025.
Extorsões continuam a afetar comunidades, meios de subsistência, transportes públicos e acesso a serviços essenciais. Os relatórios também destacam a presença e influência contínua de grupos criminosos em diferentes partes do país, o que contribui para maiores riscos de proteção e potenciais deslocamentos nas comunidades afetadas.
O ACNUR antecipa um aumento no número de deslocados internos devido à persistência dos fatores que desencadeiam o deslocamento forçado, apesar dos progressos nos mecanismos de proteção legal.
Qual é a missão da ONU nas Honduras?
A resposta da ONU à crise de deslocamento nas Honduras é feita principalmente através do trabalho das agências como o ACNUR, a Organização Mundial de Trabalho (OIM), a Agência da ONU para a Infância (UNICEF) e o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD). O trabalho das agências foca-se nas pessoas deslocadas pela violência de gangues, extorsão, pobreza, desastres climáticos e insegurança.
O ACNUR oferece abrigo, apoio legal, assistência monetária de emergência, apoio psicossocial e serviços de proteção para pessoas deslocadas internamente (PDI), refugiados, requerentes de asilo e retornados. É dada especial atenção a crianças, mulheres, pessoas LGBTQI+ e comunidades indígenas.
A ONU apoiou fortemente a lei de 2022-2023 das Honduras sobre o deslocamento interno, que foi considerada uma reforma marcante. O ACNUR está a ajudar o Governo a implementá-la.
O PNUD, a OIM e o ACNUR trabalham juntos em soluções de longo prazo, entre elas: o fortalecimento das instituições locais, a melhoria da segurança comunitária, o apoio aos meios de subsistência e à educação, a prevenção do recrutamento de gangues e a ajuda à reintegração segura das famílias deslocadas.