Os conflitos armados no Médio Oriente continuam a causar graves consequências humanitárias que afetam milhares de pessoas e obrigam à deslocação forçada de civis em busca de segurança. A Organização das Nações Unidas (ONU) apela ao cessar dos ataques militares de forma a evitar o colapso dos sistemas de saúde e da assistência internacional, uma vez que a destruição de infraestruturas gera graves riscos para famílias e crianças.
Nesse sentido, a ONU reforçou medidas de forma a garantir a prestação de ajuda humanitária e apoio internacional a todos os afetados.
A Agência da ONU para Refugiados (ACNUR), está no terreno a apoiar as populações deslocadas de forma a garantir que as mesmas recebem assistência necessária. Contudo, estima-se que as hostilidades e os confrontos armados no Médio Oriente tenham obrigado cerca de 330,000 pessoas a abandonar as suas casas.
Entre os países mais afetados estão:
· Afeganistão com 115,000 pessoas deslocadas internamente devido ao conflito;
· Irão com 100,000 pessoas a abandonar a capital nos primeiros dias do ataque;
· Paquistão com 3,000 pessoas deslocadas dentro do próprio país;
· Líbano com 84,000 refugiados em 400 pontos de acolhimento e mais de 30,000 pessoas a passar a fronteira para a Síria.
10 de março de 2026
O agravamento dos confrontos armados tem colocado os sistemas de saúde internacionais sob pressão e preocupação. A destruição de infraestruturas médicas e a escassez de recursos dificultam a prestação dos cuidados de saúde essenciais, enquanto o número de feridos e de pessoas em situação de vulnerabilidade, como as crianças, continuam a aumentar.
Impacto nas crianças
A situação de conflito é particularmente alarmante para as crianças. O Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) em África e no Médio Oriente demonstrou a preocupação relativa aos ataques militares que expõem cada vez mais menores à violência direta e consequências indiretas da guerra.
De acordo com dados oficiais da UNICEF, até à data de 5 de março:
· 180 crianças foram mortas, com registo de um elevado número de feridos;
· Pelo menos 20 escolas foram danificadas;
· 10 hospitais sofreram danos de infraestruturas.
“De acordo com o Direito Internacional Humanitário, a vida e o bem-estar das crianças devem ser sempre protegidos (…) A UNICEF continua a acompanhar de perto a situação e está pronta para apoiar os esforços humanitários para ajudar as crianças e famílias afetadas pela escalada de violência”, afirmou o diretor regional da UNICEF para a África e o Médio Oriente, Edouard Beigbeder.
A destruição destas infraestruturas compromete o acesso à educação e aos serviços de saúde das crianças. A UNICEF e a Organização Mundial da Saúde (OMS) reiteram a necessidade de proteção das famílias ao abrigo do Direito Internacional e mantêm o apoio para monitorizar e assistência aos civis em necessidade.
Impacto na Saúde
O diretor geral da OMS, Dr. Tedros Adhanom Ghebreyesus, expressou a sua preocupação relativamente ao impacto na saúde nos países afetados pelo conflito, após terem sido verificados ataques aos sistemas de saúde no Irão e no Líbano, até ao dia 5 de março.
Para além disso, também a logística das organizações internacionais estão a ser afetadas tanto no Dubai como nas zonas do mediterrâneao de leste. A violência forçou à suspensão temporária do hub logístico de Emergência no Dubai o que interrompeu o acesso a milhões de dólares em medicamentos e apoio humanitário.
A OMS reforça a necessidade de proteger os civis, trabalhadores de saúde e infraestruturas, apesar de enfrentar um corte de financiamento de 70% que ameaça a continuidade dos serviços essenciais.
Apelo do secretário-geral da ONU
O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, conversou com o ministro dos Negócios Estrangeiros da República Islâmica do Irão, Seyed Abbas Araghchi, esta terça-feira, onde foi discutida a desmilitarização da região.
Neste encontro diplomático, Guterres recordou a necessidade de respeito pleno pelo direito internacional e o direito humanitário internacional e sublinhou ainda a necessidade de abstenção de ataques contra civis e infraestruturas.
Para além disso, o secretário-geral demonstrou ainda preocupação no alastramento regional do conflito e no impacto do conflito na economia global.