O SECRETÁRIO-GERAL
2 de dezembro de 2025
A escravatura é um horror dos livros de história e uma crise contemporânea implacável.
No Dia Internacional para a Abolição da Escravatura, lembramos as vítimas do passado, especialmente os mais de 15 milhões de homens, mulheres e crianças em África que foram capturados, acorrentados e vendidos como escravos para o outro lado do oceano ou que pereceram pelo caminho.
Recordamos as cicatrizes profundas que a escravatura deixou nas nossas sociedades, incluindo desigualdades estruturais e injustiças sistémicas que persistem há gerações.
Mobilizamo-nos para proteger os cerca de 50 milhões de pessoas que atualmente se encontram presas em formas contemporâneas de escravatura em todo o mundo, muitas delas mulheres e crianças.
E reiteramos o nosso apelo para prevenir violações dos direitos humanos, como o trabalho forçado e o casamento forçado, para que não façam mais vítimas.
As formas contemporâneas de escravatura são perpetuadas por organizações criminosas que exploram pessoas que lutam para sobreviver à pobreza extrema, à discriminação ou à degradação ambiental e por traficantes que aproveitam pessoas que fogem de conflitos armados ou que migram em busca de segurança e oportunidades. Rouba-se às pessoas os seus direitos e a sua humanidade.
Governos, empresas, sociedade civil e sindicatos devem unir-se para pôr fim a esta crise de uma vez por todas. E devem proporcionar reparação e compensação, com acesso real à justiça, indemnizações justas, reabilitação, restituição e garantias de que as vítimas e as suas famílias não voltarão a sofrer.
2026 assinala o 100.º aniversário da Convenção sobre a Escravatura, quando a comunidade internacional assumiu um compromisso audaz para acabar com a escravatura em todas as suas formas. Devemos agir com a mesma determinação para erradicar as formas contemporâneas de escravatura. Um mundo construído sobre a liberdade, a dignidade e a justiça para todos não é apenas possível, é uma responsabilidade partilhada por todos nós.