“O Planeta Terra está a ser puxado para além dos seus limites.
Todos os principais indicadores climáticos estão em alerta vermelho. Esta é a mensagem clara do mais recente relatório da Organização Meteorológica Mundial.
O relatório confirma que o desequilíbrio energético da Terra – a diferença entre o calor absorvido e o calor libertado – é o mais elevado de que há registo.
Por outras palavras, o nosso planeta está a reter calor mais rapidamente do que consegue libertá-lo.
As concentrações de gases de estufa estão mais elevadas do que em qualquer outro momento nos últimos centenas de milhares de anos. As temperaturas globais continuam a aumentar.
A humanidade acabou de atravessar os onze anos mais quentes de que há registo.
Quando a história se repete onze vezes, deixa de ser uma coincidência.
É um alerta para a ação.
Entretanto, os oceanos estão a absorver níveis épicos de calor, alimentando tempestades mais intensas.
Os glaciares e o gelo marinho estão a desaparecer.
E os níveis médios de água do mar estão a aumentar.
Estes dados não estão limitados a tabelas e gráficos.
Eles refletem-se no quotidiano da vida das pessoas.
Em famílias que enfrentam dificuldades devido às secas e às tempestades que aumentam o preço de alimentos;
Em trabalhadores levados ao limite pelo calor extremo;
Em agricultores que vêm as plantações a definhar;
Em comunidades e lares arrasados pelas inundações.
As equipas na linha da frente precisam urgentemente de financiamento para adaptação para enfrentar os impactos imediatos da crise climática.
E, nesta altura de guerra, o stress climático revela também outra verdade: o nosso vício em combustíveis fósseis que está a desestabilizar tanto o clima como a segurança global.
Agora, mais do que nunca, devemos acelerar uma transição justa para energias renováveis.
As energias renováveis garantem segurança climática, energética e nacional.
O relatório de hoje deveria vir com uma etiqueta de perigo: o caos climático está a acelerar e atrasar a ação é mortal.
O caminho a percorrer deve ser talhado na ciência, senso comum e coragem para agir.”
– Mensagem do secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres.