Moçambique segue precisando de ajuda dois anos após ciclone Idai, diz Guterres 

Esta segunda-feira, 15 de março, marca o segundo aniversário do ciclone que atingiu o centro de Moçambique afetando cerca de 1,8 milhão de pessoas e causando mais de 600 mortes.  

Em mensagem de vídeo, em português, o secretário-geral da ONU, António Guterres, reiterou a solidariedade das Nações Unidas para com o povo e o governo moçambicanos.    

Visita   

Ele lembrou da devastação que testemunhou durante a visita que fez a Moçambique após a passagem dos ciclones Idai e Kenneth. 


“Jamais esquecerei o que vi. Fiquei profundamente comovido com a força e a resiliência de todos aqueles que foram afetados e também inspirado pelo heroísmo das equipas de ajuda de emergência.” 

Segundo o chefe da ONU, a força dos ciclones alerta “para o facto de que o tempo está a esgotar-se no combate às alterações climáticas.” 

Ele diz que “as tempestades tropicais são cada vez mais intensas e frequentes” e destaca a gravidade da situação em África. Há regiões do continente que estão aquecendo a um ritmo duas vezes superior à média global do planeta. 

O continente é dos que tem menores responsabilidades na crise climática, mas segundo Guterres, “é dos que mais sofre as consequências.” 

“É urgente adotar medidas imediatas destinadas a mitigar o aquecimento global e, ao mesmo tempo, apoiar as nações que estão na linha da frente das alterações climáticas para que vejam reforçada a sua resiliência e capacidade de adaptação.” 

@Ouri Pota

Pandemia da Covid-19 ameaça recuar os avanços na recuperação pós-ciclone Idai.

Resiliência 

Dois anos depois, muitas famílias ainda lutam para reconstruir as suas vidas, mas o país tornou sendo atingido por uma tempestade tropical, Chalane, em dezembro passado, e semanas depois pelo ciclone Eloíse, em janeiro.  

“São catástrofes atrás de catástrofes. O povo de Moçambique precisa da nossa ajuda urgente para enfrentar a tripla ameaça resultante da violência, das crises climáticas e da pandemia Covid-19.”   

O chefe da ONU apela à comunidade internacional para que intensifique os seus esforços e apoie o plano de resposta humanitária. O país precisa de US$ 254 milhões para responder às crescentes necessidades humanitárias.  

Para terminar, o secretário-geral pede que a data sirva para unir esforços na ajuda ao povo moçambicano.    

Foto ONU/Eskinder Debebe

Vista desde a prefeitura de Beira, a cidade moçambicana mais atingida pelo ciclone Idai

Leia a mensagem do secretário-geral na íntegra: 

“Nesta ocasião em que se assinalam dois anos desde que o ciclone tropical Idai se abateu sobre Moçambique, reitero a solidariedade das Nações Unidas para com o povo e o governo moçambicanos.    

Visitei Moçambique logo após a passagem dos ciclones Idai e Kenneth e testemunhei, em primeira mão, a devastação provocada e os esforços de recuperação.  

Jamais esquecerei o que vi.    

Fiquei profundamente comovido com a força e a resiliência de todos aqueles que foram afetados – e também inspirado pelo heroísmo das equipas de ajuda de emergência.   

A força dos ciclones alerta-nos para o facto de que o tempo está a esgotar-se no combate às alterações climáticas. As tempestades tropicais são cada vez mais intensas e frequentes. Há regiões em África que estão a aquecer a um ritmo duas vezes superior face à média global do planeta. Na verdade, o continente africano sendo dos que tem menores responsabilidades na crise climática, é dos que mais sofre as suas consequências.      

É urgente adotar medidas imediatas destinadas a mitigar o aquecimento global e, ao mesmo tempo, apoiar as nações que estão na linha da frente das alterações climáticas para que vejam reforçada a sua resiliência e capacidade de adaptação.  

Dois anos após o Ciclone Idai, muitas famílias ainda lutam para reconstruir as suas vidas. A tempestade tropical Chalane atingiu Moçambique em dezembro de 2020, seguida pelo ciclone Eloise em janeiro de 2021.  

São catástrofes atrás de catástrofes!   

O povo de Moçambique precisa da nossa ajuda urgente para enfrentar a tripla ameaça resultante da violência, das crises climáticas e da pandemia Covid-19.   

Apelo à comunidade internacional para que intensifique os seus esforços e apoie o plano de resposta humanitária para Moçambique. O país necessita de 254 milhões de dólares para responder às crescentes necessidades humanitárias provocadas por esta tripla crise.  

Nesta data, que nos faz a todos refletir, vamos unir esforços na ajuda ao povo moçambicano.”  


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