ONU News Mundo atinge meta de áreas protegidas, mas qualidade da conservação deve melhorar 

Mundo atinge meta de áreas protegidas, mas qualidade da conservação deve melhorar 

A comunidade internacional alcançou sua meta global de cobertura de áreas protegidas e conservadas, mas ficou aquém de seus compromissos com a qualidade desses territórios. 

A conclusão está no Relatório Planeta Protegido, publicado esta quarta-feira, pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente, Pnuma, e pela União Internacional para Conservação da Natureza, Uicn, com apoio da Sociedade National Geographic. 

Avaliação 

A pesquisa é a última avaliação da Meta 11 de Aichi, a meta global de 10 anos que visava trazer benefícios importantes para a biodiversidade e as pessoas até 2020. 

Unsplash/Aaron Burden

Biodiversidade continua diminuindo, mesmo dentro de muitas áreas protegidas

O objetivo era proteger pelo menos 17% das águas terrestres e interiores e 10% do meio marinho. 

Hoje, 22,5 milhões de km2, cerca de 16,64%, de ecossistemas terrestres e de água interior e 28,1 milhões de km2, 7,74%, de águas costeiras e do oceano estão dentro de áreas protegidas e conservadas, um aumento de mais de 42% desde 2010. 

Segundo a pesquisa, a cobertura terrestre excederá, consideravelmente, a marca de 17% quando os dados para todas as áreas forem disponibilizados. 

Atualização 

As novas metas devem ser acordadas na Conferência de Biodiversidade da ONU, que acontece em Kunming, na China, em outubro.  

Segundo o relatório, o desafio será melhorar a qualidade para alcançar mudanças positivas para as pessoas e a natureza, à medida que a biodiversidade continua diminuindo, mesmo dentro de muitas áreas protegidas.  

Em comunicado, o diretor do Centro de Monitoramento da Conservação Mundial do Pnuma, Neville Ash, destacou o progresso, mas afirmou que “designar e contabilizar mais áreas protegidas e conservadas é insuficiente.” 

Para ele, estas regiões “precisam ser administrados de forma eficaz e equitativa se quiserem produzir muitos benefícios em escala local e global e garantir um futuro melhor para as pessoas e o planeta.” 

Eficácia 

Para aumentar a eficácia, é necessário incluir locais importantes para a biodiversidade. No entanto, um terço das principais áreas de biodiversidade ainda não estão protegidos. 

Estas zonas também precisam estar melhor conectadas umas às outras, para permitir que as espécies se movam e os processos ecológicos funcionem. Apesar de melhorias recentes, menos de 8% da terra está protegida e ligada, muito abaixo dos quase 17% que estão conservados.  

Coral Reef Image Bank/Yen-Yi Lee

Um terço das principais áreas de biodiversidade ainda não estão protegidos.

O relatório também pede que as áreas existentes sejam reconhecidas, destacando esforços de povos indígenas, comunidades locais e organizações privadas. Segundo a pesquisa, os esforços dessas entidades permanecem subestimados.  

Benefícios  

O Pnuma defende ainda uma melhor distribuição de tarefas para que os custos da conservação não sejam arcados pela população local enquanto os benefícios são usufruídos por terceiros.  

Para o diretor geral da Uicn, Bruno Oberle, os novos objetivos devem ser cobertura da área protegida de 30% da terra, água doce e oceano até 2030. Ele disse ainda que que essas áreas devem “administradas de forma eficaz e governadas de forma equitativa.” 

Segundo o Pnuma, as áreas protegidas e conservadas podem ajudar a prevenir a degradação dos ecossistemas e consolidar o progresso na Década das Nações Unidas para a Restauração do Ecossistema. 

A Década será lançada, oficialmente, em 5 de junho, Dia Mundial do Meio Ambiente.