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Mundo encaminha-se para ultrapassar 1,5 °C de aquecimento mas adaptação continua demasiado lenta

Mesmo que triplique até 2035, cobriria apenas entre 20 e 29 % das necessidades, segundo o novo relatório do PNUMA

Com o aquecimento global a caminho de ultrapassar 1,5 °C, a adaptação avança demasiado devagar. O alerta é do Adaptation Gap Report 2026: Ready? Not, publicado hoje pelo Programa das Nações Unidas para o Ambiente (PNUMA).

Segundo o relatório, os países em desenvolvimento vão precisar de cerca de 305 mil milhões de dólares por ano até 2035 para se adaptarem às alterações climáticas, um valor que poderá quase duplicar se forem incluídas as necessidades do setor privado.

Em contrapartida, o financiamento público internacional para a adaptação proveniente dos países desenvolvidos rondou os 30 mil milhões de dólares em 2024, apenas mais mil milhões do que no ano anterior. Os fluxos destinados aos países menos avançados e aos pequenos Estados insulares em desenvolvimento diminuíram desde 2022, quando deveriam estar a aumentar, apesar de estes países praticamente não terem contribuído para as emissões de gases com efeito de estufa.

Apelo para a COP31

Na COP30, os países apelaram a esforços para, pelo menos, triplicar o financiamento para a adaptação até 2035. No entanto, depois de ajustado à inflação, mesmo essa triplicação cobriria apenas entre 20 e 29 % das necessidades.

“O mundo não está preparado para se adaptar às condições climáticas atuais, quanto mais ao que a ultrapassagem de 1,5 °C trará”, afirmou Inger Andersen, diretora executiva do PNUMA.

“Na COP31 sobre o clima, na Türkiye, e para além dela, as nações devem concentrar-se em intensificar os esforços para alcançar a aspiração do Mutirão Global da COP30 de triplicar o financiamento para a adaptação até 2035, cientes de que terão de ir ainda mais longe para salvar vidas, evitar perdas e danos e proteger as economias”, acrescentou.

O relatório identifica também sinais positivos: o objetivo de duplicar o financiamento para cerca de 40 mil milhões de dólares em 2025 ainda poderá ser alcançado, e a cooperação entre países em desenvolvimento passou de 3,8 mil milhões em 2019 para 9,6 mil milhões em 2024.

As perdas e danos são já consideráveis. Entre 2020 e 2025, os países de rendimento baixo e médio concentraram quase a totalidade das 765 milhões de pessoas registadas como afetadas por cheias e deslizamentos de terras. Na sua primeira ronda, o Fundo para responder a Perdas e Danos recebeu pedidos no valor de 2,8 mil milhões de dólares, face a uma dotação inicial de 342 milhões.

O relatório sublinha que o financiamento, por si só, não basta. Os governos estão já a reforçar as suas instituições, com leis-quadro sobre o clima, uma melhor coordenação entre setores e níveis de governo e mecanismos específicos para mobilizar e gerir o financiamento climático.

Em matéria de perdas e danos, o relatório aponta a necessidade de um apoio financeiro e técnico adequado e previsível, de procedimentos de acesso mais simples e de uma participação efetiva das comunidades afetadas.