Em destaque Mutilação Genital Feminina: causas, riscos e impacto

Mutilação Genital Feminina: causas, riscos e impacto

© UNICEF Gambia

Todos os anos, milhões de raparigas e mulheres em todo o mundo são vítimas da Mutilação Genital Feminina (MGF), uma prática que envolve a remoção parcial ou total dos órgãos genitais femininos por motivos não médicos. O procedimento pode causar dor extrema, infeções graves, complicações durante o parto e, em casos extremos, levar à morte.

A MGF é praticada predominantemente em cerca de 30 países de África e do Médio Oriente, mas também ocorre em algumas regiões da Ásia e entre comunidades migrantes que vivem na Europa Ocidental, América do Norte, Austrália e Nova Zelândia.

Motivações e consequências

A mutilação genital feminina não traz qualquer benefício para a saúde e é frequentemente justificada por normas sociais, crenças religiosas, desinformação relacionada com a higiene e pela tentativa de controlar a sexualidade feminina, associando-a à preservação da virgindade, à elegibilidade para o casamento e, muitas vezes, à prioridade do prazer masculino.

Em algumas culturas, a prática é considerada um rito de passagem para a vida adulta e um pré-requisito para o casamento. Ainda assim, na maioria dos casos, o procedimento é realizado contra a vontade da mulher.

De acordo com dados da UNFPA, mais de 230 milhões de raparigas e mulheres em todo o mundo já foram submetidas à MGF. Além disso, cerca de 4 milhões de meninas correm risco a cada ano, sendo aproximadamente metade delas menores de cinco anos. Caso as ações não sejam aceleradas, estima-se que mais 22,7 milhões de meninas poderão ser afetadas até 2030.

Combate e iniciativas de mudança

Perante este cenário, combater a mutilação genital feminina é uma urgência global que exige ação coletiva, envolvendo governos, organizações internacionais e comunidades locais. O Dia Internacional da Tolerância Zero à Mutilação Genital Feminina, celebrado a 6 de fevereiro, representa uma oportunidade fundamental para denunciar esta violência e reforçar a mobilização em torno da sua erradicação.

O tema de 2026 — “Towards 2030: No End to Female Genital Mutilation Without Sustained Commitment and Investment” (“Rumo a 2030: Não haverá fim da MGF sem compromisso sustentado e investimento”) — sublinha a importância de manter e intensificar os esforços políticos, financeiros e comunitários para eliminar esta prática até 2030, em conformidade com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável.

O progresso contra a MGF também é impulsionado por sobreviventes e comunidades, para além de leis e políticas. Em Mara, na Tanzânia, Olivia Albert, submetida à MGF aos 13 anos, lidera agora um grupo juvenil que educa meninas, trabalha com líderes tradicionais e cria espaços seguros para quem corre risco. Na Guiné, o Imam Ousmane Yabara Camara utiliza os seus sermões para esclarecer que a MGF não é um preceito do Islão, promovendo a consciencialização e proteção das meninas. Estes exemplos mostram que mudanças reais são possíveis quando comunidades, sobreviventes e líderes se mobilizam de forma coordenada. (Fonte: UNFPA)