A 11 de março de 2020, a Organização Mundial de Saúde (OMS) declarou o novo coronavírus (covid-19) como pandemia. Passado um ano, a ONU continua a liderar a resposta à crise, ao lado dos líderes mundiais, da ciência e das comunidades. A recuperação sustentável desta crise “sem precedentes” dependerá do compromisso, da cooperação e da solidariedade mundial.
Há um ano, o diretor-geral da OMS, Tedros Ghebreyesus, alertava os governos mundiais para pandemia de Covid-19. Identificado a 1 de dezembro de 2019, em Wuhan, República Popular da China, o novo coronavírus foi declarado como Emergência de Saúde Pública Internacional (ESPI) pela OMS, a 30 de dezembro. Em março, já afetava a vida de milhares de pessoas, exercendo pressão sobre as economias e os sistemas nacionais de saúde.
O secretário-geral da ONU, António Guterres, instou todos os países a agir com rapidez, tomando medidas sérias para conter a disseminação do vírus.
“Janela de oportunidade”
Hoje, sabemos que a resposta lenta dos países ao “mais alto nível de alarme de âmbito global” em janeiro representou um desperdício de uma “janela de oportunidade”, resume Tedros Ghebreyesus. Numa conferência de imprensa dada esta segunda-feira, o diretor-geral da OMS recordou que “naquele momento, fora da China, havia menos de 100 casos de Covid-19 e ainda não havia mortos”. A contenção na resposta à ameaça permitiu que os casos de infeção pelo SARS-COV-2 se multiplicassem rapidamente.
“Uma recessão global, talvez de dimensões recorde, é quase certa”
Na primeira comunicação virtual à imprensa sobre a pandemia, a 19 de março, António Guterres anunciou uma crise global, diferente de todas as enfrentadas pela ONU nos seus 75 anos. O aniversário histórico da organização viria a ficar marcado pela liderança da resposta à crise sanitária mundial, que fez desabar uma crise económica e humanitária. Nas palavras do chefe da ONU, “a crise veio expor todas as profundas fragilidades e desigualdades” dos países, agudizando problemas já existentes ao nível do emprego, da desigualdade de género e da saúde mental. O apelo ao cessar-fogo universal foi imediato, a par da emissão de uma série de relatórios sobre os impactos socioeconómicos da doença. Em junho, Guterres lançou o Plano Global da ONU de Resposta à Covid-19, com medidas políticas para as áreas principais, disponibilizadas aos governos mundiais para “salvar vidas, proteger sociedades e recuperar melhor”.
“Recuperar melhor” sem “deixar ninguém para trás”
A resposta global da ONU tem tido como três grandes pilares a ação coordenada de saúde; o combate às consequências socioeconómicas e humanitárias; e o plano de recuperação pós-pandemia. Neste contexto, o combate à desinformação e a promoção de um processo de vacinação eficaz, justo e igualitário são dois dos maiores desafios. Para “recuperar melhor”, a reafirmação dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável determina um caminho com metas claras em áreas fundamentais, que visa a construção de um futuro mais igualitário, mais próspero e mais sustentável para todos. Para António Guterres, a recuperação “terá de andar de mão dada com a ação climática”, que classifica enquanto “a maior batalha das nossas vidas”.
Vacinar primeiro os profissionais da saúde e grupos de risco, proteger os sistemas de saúde dos países mais pobres, garantir o fornecimento adequado de vacinas nos países em desenvolvimento com o sistema COVAX e partilhar licenças de produção são algumas das prioridades do momento para a Organização Mundial de Saúde.
“Fazer as pazes com a natureza”
Na recuperação global da pandemia, o desafio principal será garantir que os pacotes de recuperação económica dão prioridade à inclusão e à sustentabilidade. A retoma da produção deverá assegurar investimento em proteção social e cobertura universal de saúde, alinhando-se com a resposta à emergência climática.
“Tanto as alterações climáticas, como a pandemia da Covid-19, são crises que só poderão ser enfrentadas por todos, juntos, como parte da transição para um futuro inclusivo e sustentável”
Atualmente, de acordo com Tedros Ghebreyesus, a OMS está concentrada em “apoiar todos os países a pôr fim à pandemia com as vacinas e as medidas de saúde pública que têm sido a base da resposta”, acrescentando que os países “não podem desperdiçar o progresso feito”.
No espaço de um ano, a pandemia de covid-19 provocou mais de 2 milhões e 600 mil mortos e mais de 500 milhões de empregos perdidos em todo o mundo. Em Portugal, já foram registadas mais de 16 mil mortes e mais de 800 mil casos de infeção pelo vírus SARS-CoV-2.
Cerca de 320 milhões de doses de vacinas já foram administradas a nível mundial, das quais cerca de 1 milhão em Portugal.