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“O ACNUR está a atravessar águas bastante turbulentas”, disse Filippo Grandi na tomada de posse

Filippo Grandi, natural de Itália e veterano dos esforços das Nações Unidas na assistência aos refugiados, assumiu, a 4 de janeiro, a liderança do Alto-Comissariado da ONU para os Refugiados (ACNUR) numa altura de desafios sem precedentes, com números recorde de pessoas em todo o mundo forçadas a fugir da guerra e de perseguições.

Em junho de 2015 foi anunciado que o deslocamento forçado mundial chegou a um novo número recorde desde o pós-Segunda Guerra Mundial: 59,5 milhões de pessoas.

“O ACNUR está a atravessar águas bastante turbulentas”, afirmou Fillipo Grandi, que trabalha na ONU há 27 anos e que que sucede ao português António Guterres (2005-2015), para um primeiro mandato de cinco anos.

Filippo Grandi, 58 anos, trabalha na área das relações internacionais há mais de 30 anos, 27 dos quais com a ONU. Antes do UNRWA, trabalhou para a Missão de Assistência da ONU no Afeganistão (UNAMA) enquanto vice-Representante Especial, no seguimento de uma longa carreira com ACNUR em África, Médio Oriente e na sede da agência, em Genebra.

“A junção de vários conflitos e as consequentes deslocamento em massa, os novos desafios ao nível do asilo, as lacunas de financiamento entre as necessidades humanitárias e recursos existentes, e a xenofobia crescente são algo bastante perigoso”, acrescentou.

Mais de um milhão de refugiados e migrantes, na sua maioria de países assolados pela guerra como a Síria, o Iraque e o Afeganistão, atravessaram o Mar Mediterrâneo rumo à Europa, no ano passado.

É o maior número de pessoas deslocadas devido a guerras e conflitos a circularem na Europa Central e Ocidental desde a década de 1990, quando eclodiram vários conflitos na ex-Jugoslávia.

Desafios enfrentados pelo ACNUR

O ACNUR, vencedor duas vezes do Prémio Nobel da Paz (1954 e 1981) também enfrenta outros desafios tais como a falta de fundos para fins humanitários, menor número de pessoas a poderem fazer retornos voluntários, pessoas a permanecerem em exilo durante períodos maiores de tempo e uma crescente politização dos assuntos relacionados com refugiados em vários países.

O caminho é desafiante, mas espero que – através do trabalho com os governos, sociedade civil e outros parceiros – consigamos alcançar progressos na garantia de proteção internacional e melhores condições de vida para milhões de refugiados, deslocados internos e pessoas sem nacionalidade”, afirmou o novo alto-comissário.

“Espero que soluções para as crises de deslocamento sejam alcançadas com determinação renovada em abordar as suas causas profundas e investindo para ter os recursos materiais e políticos adequados. O ACNUR, cuja missão inclui encontrar soluções, está pronto a trabalhar com todos os que pretendem alcançar este objetivo”, acrescentou.

Estabelecido pela Assembleia-Geral da ONU em 1950, o ACNUR deu asistência dezenas de milhões de pessoas para recomeçarem as suas vidas.

Atualmente,  com cerca de 9700 funcionários em 126 países (muito deles a trabalharem em emergências humanitárias e perto de regiões de conflito), continua a assistir e a proteger milhões de refugiados, retornados, pessoas internamente deslocadas (PIDs) e pessoas sem nacionalidade.

05 de janeiro de 2016, Centro de Notícias da ONU/Traduzido & Editado por UNRIC


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