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O impacto do conflito em números

Como os conflitos afetaram os civis em 2020

Os civis, que vivem em zonas de conflito, são mortos e feridos em maior número do que as forças de combate. No ano passado, apenas no Afeganistão, Síria e Iémen, a ONU registou 11.892 vítimas civis. Os civis enfrentam ainda violência sexual, tortura, desaparecimento, migração forçada e fome extrema – associada ao conflito.

Escolas e hospitais, casas e lugares de culto, mercados e aeroportos, cisternas e estações de eletricidade continuam a ser destruídos ou danificados por conflitos, particularmente na República Central Africana, Etiópia, Líbia, Moçambique, Nigéria, territórios palestinianos ocupados, Síria e Iémen.

Aqui apresentamos alguns números que refletem o que 160 milhões de civis que vivem em áreas afetadas por conflitos tiveram que superar em 2020. Estes números provêm do relatório de Proteção de Civis do secretário-geral da ONU, António Guterres, publicado este mês.

88%

Quando armas explosivas são usadas em aldeias e cidades, 88% dos mortos e feridos são civis. Em 2020, o maior número de vítimas civis resultantes desse uso ocorreu no Afeganistão, na Líbia, na Síria e no Iémen. Quando armas explosivas foram usadas nas aldeias e cidades do Iémen, estas afetaram todos os recursos locais, incluindo a habitação, transporte, o abastecimento de água e eletricidade, a saúde e as telecomunicações.

99 milhões

No final de 2020, em 23 países em conflito, mais de 99 milhões de pessoas sofreram de insegurança alimentar extrema. Este valor representa um aumento de mais 22 milhões de pessoas que no ano anterior. A fome extrema aumenta à medida que os conflitos destroem os meios de subsistência e expulsam as pessoas das suas terras. O conflito perturba ainda as redes de transporte e os sistemas alimentares comerciais, o que significa um aumento de preços. Na Síria, onde 60% da população sofre de insegurança alimentar, o custo dos alimentos básicos aumentou 236% no ano passado.

79,5 milhões

Este é o número de pessoas que foram forçadas a migrar até meados de 2020, um valor ligeiramente superior ao do ano anterior. Na sua maioria estas foram mulheres e crianças. No final de 2020, em 59 países e territórios, 48 milhões de pessoas, um número sem precedentes, foi forçado a deslocar-se internamente devido ao conflito e à violência.

182

Foi o número de ataques a profissionais de saúde em 2020. Estes compreendem agressões, ferimentos, aprisionamentos, detenções e ameaças de violência. Cerca de 182 profissionais de saúde foram mortos em 22 países afetados por conflitos, tendo o maior número de vítimas ocorrido no Burkina Faso, República Democrática do Congo (RDC), Somália e Síria. Entre fevereiro e dezembro de 2020, o Comité Internacional da Cruz Vermelha documentou quase 850 incidentes de violência, assédio ou estigmatização contra profissionais de saúde, pacientes, veículos médicos e infraestruturas, devido à covid-19.

No Burkina Faso, 1,2 milhões de pessoas não tiveram acesso a cuidados de saúde devido ao encerramento de instalações médicas. Apenas 12% dos centros de saúde na região de Tigray, na Etiópia, encontravam-se totalmente funcionais no final de 2020. Na Província de Cabo Delgado, em Moçambique, os combates destruíram 36% dos centros de saúde.

1 em cada 4

Em 2020, as crianças representaram um quarto das vítimas civis de minas terrestres, dispositivos explosivos improvisados e resíduos explosivos de guerra. As crianças que sobreviveram a estes dispositivos sofrem agora de lesões permanentes, nomeadamente amputações, paralisia e perda de visão e de audição. A ONU registou 6.766 vítimas civis de minas terrestres, com os valores mais altos registados no Afeganistão, Síria e Iémen.

160 milhões

Mais de 160 milhões de pessoas em áreas afetadas por conflitos correm o risco de serem excluídas da vacinação contra a covid-19. Do Afeganistão a Mianmar, de Moçambique ao Iémen, a ajuda humanitária teve dificuldade em alcançar as pessoas necessitadas – a maioria destes desafios de acesso já eram anteriores à pandemia. As restrições de acesso deveram-se aos conflitos, hostilidades, sanções, políticas de combate ao terrorismo e obstáculos administrativos. No ano passado, pelo menos 169 incidentes, que resultaram na morte de 99 trabalhadores humanitários, foram contabilizados em 19 países afetados por conflitos. Estes incidentes incluíram tiroteios, detonações, agressões corporais e sexuais, sequestros, principalmente durante emboscadas, combates, fogo cruzado e incursões. Cerca de 92% das vítimas eram funcionários nacionais.


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