Apesar de 9% da população mundial enfrentar uma situação de fome extrema, mil milhões de refeições são desperdiçadas todos os dias. No Dia Internacional do Desperdício Zero, o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, alertou para a crise alimentar global e apelou a ações urgentes para travar o desperdício.
Segundo dados da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO), cada pessoa desperdiça, no mundo, uma média de 74 kg de alimentos por ano. A nível global, isto resulta em 570 milhões de toneladas de desperdício alimentar. Esta crise crescente coloca em risco a sustentabilidade ambiental e ameaça a segurança alimentar das gerações futuras.
Perante este cenário, o secretário-geral da ONU apela para a mudança urgente de comportamentos, através de ações simples diárias. Segundo António Guterres, “os consumidores podem fazer compras mais sustentáveis. Os comerciantes podem potencializar as operações e distribuir excedentes alimentares. As cidades podem ampliar a rede de separação de resíduos orgânicos e os governos promover iniciativas de combate ao desperdício alimentar”, defendeu.
Para apoiar esta transformação, iniciativas da FAO como o programa Food Waste Breakthrough, lançado na COP30, visam cortar o desperdício alimentar em metade até 2030, reduzir as emissões de metano em 7% e construir sistemas de alimentação mais resilientes.
“Estamos a proteger o ambiente, a criar empregos verdes, a reduzir a insegurança alimentar e os impactos climáticos”, acrescentou o secretário-geral.
O Desperdício Alimentar em Portugal
Em Portugal, o desperdício alimentar atinge níveis preocupantes. De acordo com os dados do Instituto Nacional de Estatística (INE), cada português desperdiça cerca de 183 quilogramas de alimentos por ano, um valor que contrasta com os 130 kg registados, em média, por um cidadão da União Europeia.
No contexto Europeu, Portugal ocupa o quarto lugar na tabela de países que mais desperdiçam alimentos, ultrapassado apenas pelo Chipre, Dinamarca e Grécia. Para além disso, à escala global, cerca de um terço de todos os alimentos produzidos para consumo humano são perdidos ou desperdiçados, segundo dados da FAO.
Ainda assim, foram estabelecidas um conjunto de metas a atingir até 2030, que inclui a redução de 10% do desperdício oriundo do processamento alimentar. Para António Guterres, “não podemos tomar os alimentos como garantidos. Juntos, vamos construir os sistemas alimentares de desperdício zero que precisamos para nutrir as pessoas e o ambiente”, terminou o secretário-geral.
