Artigos O planeta e os humanos sufocados pelo plástico

O planeta e os humanos sufocados pelo plástico

Nadamos nele, caminhamos sobre ele, ingerimo-lo e até suspeitamos que o respiramos: o plástico está a sufocar o planeta e os seres vivos. Sem um acordo internacional, a poluição plástica tornar-se-á rapidamente uma grande ameaça ecológica e para a saúde.

Começou esta terça-feira, em Genebra, uma nova ronda de negociações para um tratado que visa regular todo o ciclo de vida dos plásticos, desde a produção ao consumo e à eliminação dos resíduos.

Produção exponencial de plástico

Sem uma ação urgente, 37 milhões de toneladas de plástico poderão ser lançadas nos oceanos todos os anos até 2040, segundo estimativas das Nações Unidas.

“Estamos a sufocar com o plástico”, alertou Jyoti Mathur-Filipp, secretária executiva do Comité Intergovernamental de Negociação (INC) sobre a Poluição Plástica, numa entrevista à UN News à margem da Cimeira dos Oceanos, em Nice.

Os resíduos plásticos já penetraram praticamente todos os ecossistemas do planeta — e, sob a forma de microplásticos, estão também a acumular-se no corpo humano.

Já foram encontrados microplásticos em artérias, pulmões, cérebro e até no leite materno.

Estima-se que 18 a 20% dos resíduos plásticos globais (entre 10 e 23 milhões de toneladas) acabem nos oceanos. Cerca de 13 milhões de toneladas acumulam-se anualmente nos solos.

Até 2025, prevê-se que o consumo global de plástico atinja as 516 milhões de toneladas.

Reciclagem não é solução milagrosa

Estima-se que apenas 21% dos plásticos sejam atualmente recicláveis de forma economicamente viável, ou seja, com valor suficiente para cobrir os custos de recolha, triagem e tratamento.

Globalmente, apenas 9% de todos os plásticos produzidos são realmente reciclados.

Apesar disso, muitos grupos de pressão e países produtores de petróleo — de onde deriva o plástico — tentam limitar o alcance do tratado à gestão dos resíduos, evitando a regulação da produção.

O processo de negociação foi lançado em 2022, por iniciativa da Assembleia das Nações Unidas para o Ambiente, o principal órgão de decisão em matéria de política ambiental global.

Desde então, o Comité Intergovernamental de Negociação (INC) reuniu-se cinco vezes em menos de dois anos — um ritmo invulgarmente rápido para os padrões das Nações Unidas.