O Irão enfrenta uma das mais graves crises internas dos últimos anos, com protestos a espalharem-se por todo o país desde dezembro de 2025. O movimento está a enfrentar uma repressão violenta por parte das autoridades, com milhares de mortos e detenções até ao momento.
Contexto económico e político
Os protestos, que começaram no mês passado, foram inicialmente motivados por dificuldades económicas, como a elevada inflação, a desvalorização da moeda e o desemprego crescente. Estes fatores desencadearam um descontentamento generalizado entre a população, sobretudo jovens e trabalhadores urbanos.
As manifestações rapidamente transformaram-se num movimento mais amplo de contestação política, com cidadãos de várias províncias a exigir mudanças no sistema de governo, justiça social e o fim da repressão estatal.
Organizações de direitos humanos destacam a crescente insatisfação da população com o regime teocrático do Irão, liderado pelo líder supremo Ali Khamenei, e com a forma como são tratados os direitos civis e políticos no país.
As forças de segurança responderam com uso massivo de força letal, detenções em larga escala e cortes de comunicação, bloqueando redes sociais e plataformas de mensagens para dificultar a mobilização dos manifestantes.
Dezenas de milhares de pessoas foram detidas, incluindo menores, com relatos de maus-tratos e tortura. O total de mortos já pode ter alcançado os 5.000, segundo reportagem da agência Reuters publicada a 18 de janeiro, embora os números exatos ainda variem.
Posicionamento das Nações Unidas
A situação motivou a intervenção da comunidade internacional. O Conselho de Segurança da ONU realizou uma reunião de emergência a 15 de janeiro, a pedido dos Estados Unidos, para debater o impacto da crise na estabilidade regional e internacional. Durante o encontro, diplomatas enfatizaram a importância de soluções diplomáticas e de diálogo interno para reduzir tensões e proteger a população civil.
Nos dias anteriores, o secretário-geral já havia expressado preocupação com a escalada da violência no país e apelou ao governo iraniano para que respeite os direitos humanos, incluindo a liberdade de expressão e de reunião pacífica.
Paralelamente, o alto comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Volker Türk, instou as autoridades iranianas a interromper imediatamente todas as formas de violência e repressão contra manifestantes pacíficos, a restaurar o acesso total à internet e aos serviços de telecomunicações e pediu que houvesse responsabilização pelos responsáveis por graves violações dos direitos humanos.