Um recorde macabro em 2025: 350 trabalhadores humanitários foram mortos em todo o mundo, incluindo 186 em Gaza e 71 no Sudão. A maioria destas vítimas eram funcionários locais que prestavam ajuda às suas próprias comunidades.
“Estamos também perante uma verdade aterradora: prestar assistência aos outros tornou-se mais perigoso do que nunca”, afirma o secretário-geral da ONU, António Guterres, numa mensagem por ocasião do Dia Mundial da Assistência Humanitária, assinalado a 19 de agosto:
Embora a ONU estime que 256 milhões de pessoas necessitem de assistência humanitária em 2026, os ataques multiplicaram-se e, muitas vezes, impediram as organizações humanitárias de chegar às populações necessitadas.
Desde o início de 2026, registaram-se já 82 mortes de trabalhadores humanitários, 97 feridos e 39 raptados, segundo o Gabinete das Nações Unidas para a Coordenação dos Assuntos Humanitários (OCHA).
“Mais de 1.000 trabalhadores humanitários foram mortos em apenas três anos, e isso é completamente inaceitável”, declarou Tom Fletcher, líder do OCHA.
Estamos também perante uma verdade aterradora: ajudar os outros tornou-se mais perigoso do que nunca.
Defender o direito internacional humanitário
Os trabalhadores humanitários são cada vez mais alvo de ataques ou impedimentos no desempenho do seu trabalho vital, em violação do direito internacional humanitário.
A ONU recorda que as partes envolvidas em conflitos armados devem respeitar as suas obrigações legais.
As Convenções de Genebra (1949) e os seus Protocolos Adicionais estabelecem o princípio da distinção, segundo o qual apenas os alvos militares e os combatentes podem ser atacados. Os trabalhadores humanitários, enquanto não combatentes, beneficiam de proteção absoluta contra ataques.
O chefe da ONU apelou aos Estados para que respeitem as regras da guerra; garantam o acesso seguro das pessoas que necessitam de assistência humanitária; responsabilizem os autores das violações; e disponibilizem recursos suficientes para a ação humanitária.
O secretário-geral da ONU denunciou igualmente os ataques a escolas e hospitais, bem como as crescentes ameaças decorrentes das novas tecnologias de guerra, incluindo os drones armados.
Homenagear quem arrisca a vida para proteger a vida dos outros
O Dia Mundial da Assistência Humanitária, celebrado todos os anos a 19 de agosto, constitui uma oportunidade para prestar homenagem aos agentes humanitários que trabalham em todo o mundo.
Foi instituído pela Assembleia Geral das Nações Unidas em 2008, na sequência do atentado contra o Hotel Canal, em Bagdade, a 19 de agosto de 2003, que provocou a morte de 22 trabalhadores humanitários, incluindo o representante especial do secretário-geral das Nações Unidas para o Iraque, Sergio Vieira de Mello.