Cada vez mais mulheres chegam ao topo das empresas, que reconhecem os benefícios crescentes da igualdade de género e da diversidade. No entanto, as lacunas nos níveis intermédios de chefias e a diminuição da aplicação de medidas por parte das empresas podem tornar mais difícil manter estes progressos. O alerta consta do relatório Women in Business and Management: Scaling Success, publicado pela Organização Internacional do Trabalho (OIT).
“A igualdade de género é um direito fundamental e os dados mostram claramente que é também um poderoso motor de empresas sustentáveis e de crescimento económico”, afirmou o diretor-geral da OIT, Gilbert F. Houngbo. “A prioridade agora é transformar as políticas e os compromissos em progressos concretos e mensuráveis.”
Mais mulheres no topo
A presença de mulheres na liderança das empresas melhorou na última década. A percentagem de empresas com uma mulher na presidência do conselho de administração passou de 13,1% em 2013 para 30,9% em 2025, e a de empresas com uma mulher como presidente executiva subiu de 23,4% para 28,2% no mesmo período.
Segundo os dados da OIT, a percentagem de empresas lideradas por uma mulher em 2025 é mais elevada em África (31%), nas Américas (30,1%) e na Europa e Ásia Central (29,5%), acima da média mundial de 28,2%. A Ásia e Pacífico (26,3%) e os Estados Árabes (20,9%) ficam abaixo.
Apesar destes progressos, as mulheres continuam sub-representadas nos cargos de chefia em geral: ocupam menos de um terço (30%) dos cargos de direção a nível mundial. O progresso também não é uniforme entre os vários níveis: entre 2013 e 2025, o equilíbrio de género melhorou na direção de topo e na direção superior, mas piorou nas chefias intermédias e de primeira linha.
A igualdade compensa
Quase sete em cada dez empresas inquiridas em 2025 afirmaram que as suas iniciativas de igualdade de género e diversidade tinham melhorado os resultados, mais 11,1 pontos percentuais do que em 2018. Entre as empresas que aumentaram os lucros graças a medidas de promoção das mulheres em cargos de chefia, 87,4% registaram aumentos de pelo menos 5%. As empresas com mulheres como presidentes executivas e presidentes do conselho de administração também tinham maior probabilidade de declarar melhores resultados.
Muito compromisso, menos ação
Ainda assim, está a aumentar a distância entre o compromisso e a aplicação. Em 2025, quase três em cada quatro empresas (74,8%) tinham uma política de igualdade de género e de diversidade ou equivalente. Mas a percentagem de empresas que aplicam iniciativas de igualdade de género e diversidade desceu de 37,4% em 2018 para 26,5% em 2025.
O recuo abrange até medidas que as próprias empresas apontam como estando entre as mais eficazes, como as licenças de maternidade e os programas de apoio e as iniciativas de igualdade salarial.
Talento desperdiçado
Estes dados surgem apesar dos grandes avanços das mulheres na educação. A nível mundial, as mulheres já ultrapassam os homens no ensino superior: em 2023, estavam inscritas 46,4% das mulheres, face a 40,3% dos homens. No entanto, continuam sub-representadas em algumas das funções e setores empresariais que muitas vezes abrem caminho aos cargos de liderança.
“Numa altura em que as empresas competem por competências e talento, desperdiçar o potencial das mulheres faz pouco sentido do ponto de vista empresarial”, sublinhou a diretora do Gabinete da OIT para as Atividades dos Empregadores (ACTEMP), Maria Paz Anzorreguy. “Os dados dizem-nos cada vez mais o que funciona. A prioridade agora é pô-lo em prática e alargá-lo.”
Dos compromissos à ação
O relatório insta as empresas e as organizações de empregadores a acelerar a ação e propõe medidas práticas para transformar os compromissos em resultados: reforçar os percursos de acesso das mulheres à liderança, utilizar indicadores de género e metas voluntárias, melhorar o acesso a funções e setores onde as mulheres continuam sub-representadas e integrar a igualdade de género nas estratégias empresariais e nos mecanismos de responsabilização.
Apela também à ação contra as barreiras estruturais fora do local de trabalho, como a repartição desigual das responsabilidades de cuidado, a segregação profissional e a persistência de normas sociais.
Sobre o relatório
O relatório baseia-se no inquérito mundial às empresas realizado pela OIT em 2025 junto de 11 957 empresas de 99 países, bem como nos inquéritos anteriores de 2013 e 2018, em três décadas de dados sobre o mercado de trabalho, em investigação secundária e em estudos de caso de empresas.