Em destaque OMM: 2025 foi um dos anos mais quentes já registados

OMM: 2025 foi um dos anos mais quentes já registados

© Unsplash / Patrick Perkins

A Organização Meteorológica Mundial (OMM) confirmou que 2025 foi um dos três anos mais quentes já registados, dando continuidade a uma tendência de aquecimento global sem precedentes. Segundo a análise da OMM, a temperatura média global da superfície em 2025 foi 1,44 °C acima da média do período pré-industrial (1850–1900).

Com base em oito conjuntos de dados internacionais, dois classificaram 2025 como o segundo ano mais quente em 176 anos de registos e os restantes como o terceiro. A OMM sublinha ainda que os últimos 11 anos, entre 2015 e 2025, foram os 11 mais quentes da história.

Tendência clara de aquecimento global

Os dados confirmam que os anos de 2023, 2024 e 2025 foram os três mais quentes já registados em todos os conjuntos analisados. A média consolidada desses três anos aponta para um aumento de 1,48 °C acima dos níveis pré-industriais, aproximando perigosamente o mundo do limite de 1,5 °C estabelecido pelo Acordo de Paris.

Apesar de 2025 ter começado e terminado sob influência da La Niña, fenómeno que tende a arrefecer temporariamente as temperaturas globais, este efeito não foi suficiente para inverter a tendência de longo prazo.

“O facto de 2025 ter sido um dos anos mais quentes já registados, apesar da presença da La Niña, demonstra o impacto cumulativo dos gases com efeito de estufa na atmosfera”, afirmou a secretária-geral da OMM, Celeste Saulo.

Eventos extremos e necessidade de alertas precoces

As temperaturas elevadas, tanto em terra como nos oceanos, contribuíram para a intensificação de fenómenos meteorológicos extremos, como ondas de calor, chuvas intensas e ciclones tropicais mais fortes. Para a OMM, estes dados reforçam a necessidade urgente de sistemas de alerta precoce e de informação climática fiável para apoiar a tomada de decisões.

Celeste Saulo sublinhou ainda que a monitorização climática global, baseada na cooperação internacional e em dados cientificamente rigorosos, é hoje mais essencial do que nunca.

Oceanos continuam a aquecer

O aquecimento global é particularmente visível nos oceanos. Um estudo publicado na revista Advances in Atmospheric Sciences revela que cerca de 90% do excesso de calor do aquecimento global é armazenado no oceano, tornando-o um indicador-chave das alterações climáticas.

Entre 2024 e 2025, o conteúdo de calor oceânico nos primeiros 2000 metros aumentou cerca de 23 ± 8 zettajoules, o equivalente a aproximadamente 200 vezes a produção mundial de eletricidade em 2024. Regionalmente, mais de metade da área oceânica global esteve entre as cinco mais quentes já registadas.

A temperatura média global da superfície do mar em 2025 foi 0,49 °C acima da média de 1981–2010, classificando-se como o terceiro valor mais elevado da história, apesar de uma ligeira descida em relação a 2024 devido à La Niña.