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OMS: aumento de casos de coronavírus não altera trajetória do surto

De acordo com a Organização Mundial da Saúde, OMS, nas últimas 24 horas a China registrou 1.820 novos casos do Covid-19, como o coronavírus passou a ser chamado. Com isso, o total pulou para 46.550. O número de morte no país é de 1.369.

Fora isso, o país relatou 13.332 casos da doença, que foram confirmados clinicamente na província de Hubei.

Moradores da cidade de Nanjing, leste da China, fazem fila para comprar máscaras. Foto: Li Zhang

Diagnóstico

O diretor do Programa de Emergências da OMS, Mike Ryan, disse “que a maioria desses casos está relacionada a um período que remonta ao início do surto.” Ele explicou que esse aumento nas últimas 24 horas “deve-se em grande parte a uma mudança na maneira como os casos são diagnosticados e relatados”.

Ele contou que apenas na província de Hubei, “um profissional médico treinado pode agora classificar um caso suspeito de Covid-19 como clinicamente confirmado com base em imagens do tórax, em vez de precisar de uma confirmação laboratorial.”

Assim, os médicos notificam mais rapidamente garantindo que as pessoas cheguem ao atendimento clínico, levando a respostas de saúde pública em termos de rastreamento de contatos e outras medidas importantes.

Aumento

O diretor da OMS enfatizou que isso não significa que o mundo está lidando com “um aumento de 14 mil casos em um dia”.  Além disso, “no resto da China e no resto do mundo, o exame de laboratório ainda é necessário.”

O especialista disse que este aumento “não representa uma mudança significativa da trajetória do surto.”

Ryan destacou que o número de países que relataram casos continua sem mudanças. Fora da China, foram confirmados até esta quinta-feira, em Genebra, 447 casos em 24 países, com duas mortes, uma nas Filipinas e agora, uma segunda no Japão.

De acordo com a OMS, a equipe avançada da missão internacional do Covid-19 e os especialistas chineses já finalizaram o trabalho inicial e o restante da equipe deve chegar à China no fim de semana.

ONU News/Jing Zhang

Passageiros com máscaras e ponchos descartáveis no Aeroporto Internacional Don Mueang, em Bangcoc, Tailândia.

Fórum

Nesta quarta-feira, terminou em Genebra o Fórum Global de Pesquisa e Inovação sobre o novo coronavírus. O evento foi realizado em linha com o Projeto de Pesquisa e Desenvolvimento da OMS, que é uma estratégia para desenvolver medicamentos e vacinas antes que as epidemias ocorram, além de acelerar a pesquisa e o desenvolvimento.

O Fórum reuniu os principais financiadores de pesquisa e mais de 300 cientistas e investigadores de uma grande variedade de setores. Eles discutiram todos os aspectos do surto e maneiras de controlá-lo, incluindo a história natural do vírus, sua transmissão e diagnóstico e pesquisa sobre animais e meio ambiente na procura pela origem do vírus.

As discussões formarão a base de um roteiro de pesquisa e inovação, que será usado por pesquisadores e financiadores para acelerar a resposta da pesquisa em relação ao coronavírus.

Man Yi

OMS pediu um total US$ 675 milhões para responder ao surto de coronavírus, Covid-19, pelos próximos três meses.

Navios

Após o encerramento, o diretor-geral da OMS, repetiu o apelo pela solidariedade internacional e elogiou como a “resposta apropriada” e a decisão do governo do Camboja de permitir que o navio de cruzeiro Westerdam atracasse no país.

De acordo com agência das notícias, a embarcação foi rejeitada por cinco locais na Ásia nos últimos dias.

Já o maior número de casos fora da China encontra-se no cruzeiro Diamond Princess, que está em quarentena no porto de Yokohama, no Japão.

Segundo a OMS, até o momento, 218 passageiros a bordo do navio obtiveram resultado positivo para o Covid-19.

Outros cruzeiros no mar da China Meridional continuam a ser afetados pelo receio de que passageiros possam ter o vírus.

A agência da ONU está atuando em colaboração com a Organização Marítima Internacional, OMI, assim como organizações da indústria naval, para fornecer aos países informações e conselhos precisos sobre o vírus.  

Tedros afirmou que “os surtos podem trazer à tona o melhor e o pior das pessoas”. O chefe da OMS acrescentou que “indivíduos estigmatizados ou nações inteiras desviam” a atenção e “colocam as pessoas umas contra as outras”.

Man Yi

Comissários de bordo usam máscaras no Aeroporto Internacional de Shenzhen Bao’an, na China.

Aviões

Já o chefe da Organização Internacional de Aviação Civil, Icao, Fang Liu, disse em entrevista à ONU News disse que os países também devem reagir proporcionalmente aos riscos para a saúde quando se trata de viagens aéreas.

Ao observar que algumas companhias aéreas suspenderam parte ou todos os seus voos diretos para a China nas próximas semanas, Liu destacou que “restrições indevidas podem ter o efeito de aumentar o medo e o estigma”, mas que ao mesmo tempo, “fazem muito pouco em termos de benefícios à saúde pública”.

A agência planeja publicar uma carta lembrando os países de sua obrigação de elaborar planos nacionais de aviação em caso de qualquer emergência internacional de saúde.

Economia

A diretora-gerente do Fundo Monetário Internacional, FMI, Kristalina Georgieva, falou sobre o impacto econômico do Covid-19 e disse que estão sendo coletados dados para avaliar o impacto total do surto na China e que ainda não é possível fazer uma avaliação completa sobre o assunto.

Mas, segundo ela, é mais provável que o impacto tenha o formato de V, com um declínio acentuado das atividades econômicas na China, seguido por uma rápida recuperação.

América Latina e Caribe

Especialistas em virologia da Organização Pan-Americana da Saúde, Opas, viajaram para a região do Caribe para garantir que os funcionários de laboratórios sejam treinados e equipados para identificar e responder a possíveis casos importados do Covid-19.

O treinamento no Caribe começou no Suriname, seguido por Barbados e Haiti, e continuará no final desta semana na Jamaica, em Belize e Dominica. Na próxima semana, os especialistas da Opas viajarão para Bahamas e Guiana para concluir esta iniciativa na subregião.

Além de laboratórios no Caribe, a Opas também liderou um treinamento no Brasil, em colaboração com a Fiocruz e o Ministério da Saúde. Ao todo, nove países da América do Sul participaram da iniciativa.

Nesta semana, o Ministério da Saúde do México também receberá treinamento para Belize, Costa Rica, El Salvador, Guatemala, Honduras e Nicarágua. A República Dominicana e Cuba também participarão.


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