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OMS declara Emergência Global devido a surto de Ébola na RD Congo e Uganda

Foto: OMS

A Organização Mundial de Saúde (OMS) declarou Emergência de Saúde Pública a Nível Internacional devido ao novo surto da nova estirpe do vírus Ébola, Bundibugyo. O que começou na República Democrática do Congo, já passou a fronteira para o Uganda mas ainda não existe vacina nem tratamento para esta nova estirpe.

Segundo dados divulgados pela OMS, já foram registados mais de 600 casos suspeitos e cerca de 139 mortes potencialmente associadas à doença. Pelo menos quatro profissionais de saúde morreram nas áreas afetadas. As autoridades estimam que a taxa de letalidade desta nova estirpe esteja entre os 25% e 50%.

O surto, inicialmente identificado na província de Ituri, a leste da RD Congo, já se propagou para o Kivu do Norte, com casos confirmados em cidades como Butembo e Goma. O Uganda confirmou igualmente dois casos importados, o que aumenta os receios de propagação tanto a nível regional como internacional.

A partir de Bunia, a representante da OMS na R.D.Congo, Anne Ancia, alertou que “existe uma incerteza significativa sobre o número de infeções e até onde o vírus se espalhou”. Esta preocupação com a dimensão e velocidade da epidemia levou à declaração do estado de Emergência de Saúde Pública a Nível Internacional, pelo diretor-geral da OMS, Tedros Ghebreyesus. 

O anúncio foi discutido na abertura da 79.ª Assembleia Mundial da Saúde em Genebra, marcada por apelos à cooperação internacional perante crises sanitárias e tensões geopolíticas.

Foto: OMS/Pierre Albouy

Contexto humanitário complexo

Anne Ancia acrescentou ainda que a R.D.C. enfrenta um contexto “epidemiológico, operacional e humanitário altamente complexo”. De acordo com a Agência das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR), as províncias afetadas de Ituri e Kivu do Norte abrigam mais de 2 milhões de refugiados e a capacidade de resposta dos sistemas de saúde locais está fragilizada devido à situação de conflito armado na região. 

A estratégia de combate ao vírus também enfrenta desafios sociais. “Se recorrermos a medidas coercivas e a população não concordar, veremos casos suspeitos a recusarem-se a dirigir-se aos hospitais e aos centros de saúde”, alertou a representante da OMS do país, sublinhando o empenho contínuo dos profissionais de saúde junto das escolas, igrejas e líderes comunitários. 

Reforço dos fundos de emergência

Durante o discurso de abertura na reunião do Comité de Emergência sobre a epidemia de Ébola na R.D.C. e no Uganda, esta terça feira, o Tedros Ghebreyesus anunciou a aprovação de 3,4 milhões de dólares adicionais do Fundo de Contingência para Emergências da OMS. Com o novo aporte, o valor total destinado à crise é de 3,9 mil milhões de dólares. 

Para sustentar tais ações, Ghebreyesus aprovou um valor adicional de 3,4 milhões de dólares (de cerca de 3,13 milhões de euros) do Fundo de Contingência para Emergências (CFE), elevando o total para 3,9 milhões de dólares (cerca de 3,36 milhões de euros).

A OMS está a apoiar a resposta liderada pelo governo Congolês, com mais de 40 profissionais de saúde no terreno e através do envio de material médico e reforço da capacidade de diagnóstico laboratorial.

Foto: UNICEF/Josué Mulala

Sintomas, Prevenção e Tratamento

A estirpe Bundibugyo causa sintomas que incluem febre, fadiga extrema, vómitos, diarreia e, em casos mais avançados, hemorragias internas e externas. O vírus é transmitido através do contacto direto com fluídos corporais de pessoas infectadas ou superfícies contaminadas. A prevenção baseia-se no isolamento de casos suspeitos, manutenção da higiene e  evitar contacto com animais selvagens.

A OMS está em discussão para decidir qual potencial vacina deve ser priorizada, um processo que pode levar meses até que esteja disponível para a população. 

Contudo, apesar da gravidade da situação, a OMS esclareceu que o surto da estirpe Bundibugyo não preenche os critérios para ser considerado como uma emergência pandémica. E como afirmou o diretor regional da OMS para África, Mohamed Janabi, “O Ébola é uma doença muito grave, mas é uma doença que sabemos como controlar”, terminou o responsável.