As Nações Unidas (ONU) defendem que a integridade da informação se tornou uma questão central para a proteção dos direitos das crianças e dos jovens na era digital. Num novo relatório do Departamento de Comunicação Global, a organização alerta que estas populações estão entre as mais conectadas do mundo e, simultaneamente, entre as mais expostas aos riscos associados à desinformação, ao discurso de ódio, à manipulação algorítmica e às novas tecnologias de inteligência artificial.
Segundo este documento, publicado na véspera do Dia Munidal da Juventude que se assinala a 12 de agosto,mais de 82% dos jovens entre os 15 e os 24 anos utilizam a Internet, o que lhes proporciona oportunidades sem precedentes de aprendizagem, participação cívica e inclusão económica. No entanto, a crescente dependência dos ambientes digitais faz com que os impactos negativos das plataformas online tenham consequências profundas no desenvolvimento cognitivo, emocional e social das novas gerações.
A ONU identifica três grandes categorias de riscos para a integridade da informação: os riscos tecnológicos, relacionados com o uso abusivo de ferramentas digitais e inteligência artificial; os riscos de acesso e distribuição, ligados a algoritmos, desigualdades digitais e enfraquecimento do jornalismo independente; e os riscos associados aos conteúdos, incluindo desinformação, assédio online e discurso de ódio. Estes desafios afetam particularmente crianças e adolescentes, que ainda estão a desenvolver competências críticas para interpretar e avaliar a informação que consomem.
O relatório destaca ainda o papel das grandes plataformas tecnológicas na criação de ambientes digitais desenhados para maximizar a atenção dos utilizadores. Modelos de negócio baseados na recolha de dados e na publicidade comportamental incentivam práticas que podem explorar vulnerabilidades psicológicas dos menores, expondo-os a conteúdos extremos, mecanismos de dependência e estratégias de marketing altamente personalizadas.
Perante este cenário, governos de várias regiões do mundo têm avançado com novas medidas regulatórias para reforçar a segurança online das crianças. Entre as propostas mais debatidas estão as restrições de idade para acesso às redes sociais. Contudo, especialistas em direitos da criança alertam que tais medidas, isoladamente, não resolvem o problema e podem até limitar o acesso a espaços digitais importantes para a educação, a socialização e o apoio emocional.
O documento dedica igualmente atenção ao crescente protagonismo dos jovens na esfera pública digital. Movimentos liderados por jovens utilizam plataformas online para mobilizar apoio em torno de temas como alterações climáticas, direitos humanos e combate à corrupção. Ainda assim, esses grupos enfrentam frequentemente campanhas de desinformação, vigilância, ataques coordenados e censura, o que reforça a necessidade de ambientes informativos mais seguros e transparentes.
Como resposta, a ONU propõe a aplicação dos seus cinco Princípios Globais para a Integridade da Informação: reforço da confiança social, criação de incentivos saudáveis para as empresas tecnológicas, capacitação pública, promoção de meios de comunicação livres e independentes e fortalecimento da transparência e da investigação. O relatório defende que as crianças e os jovens devem ser vistos não apenas como utilizadores a proteger, mas também como participantes ativos na construção do ecossistema informativo.
Neste contexto, a ONU apela a uma ação coordenada entre governos, empresas tecnológicas, meios de comunicação, investigadores, organizações da sociedade civil e os próprios jovens. A organização sustenta que a participação significativa das novas gerações, aliada a políticas baseadas em evidência científica e no respeito pelos direitos humanos, será determinante para garantir que a transformação digital contribua para sociedades mais resilientes, informadas e democráticas.
Leia o relatório completo aqui.