ONU condena morte de dezenas de civis por grupos armados na RD Congo  

A Agência da ONU para os Refugiados, Acnur, apelou para o respeito ao caráter civil e humanitário dos locais de deslocamento após ataques fatais de grupos armados no leste da República Democrática do Congo, RD Congo. 

Pelo menos 26 pessoas perderam a vida num ataque, domingo, em Ndjala, na zona na província oriental de Itúri. 

Armas  

Autoridades locais confirmaram que entre as vítimas estavam 10 mulheres e nove crianças. Pelo menos 11 pessoas ficaram feridas pelos agressores que usavam armas e facões. 

Dois meninos em assentamento em Ituri, na República Democrática do Congo

UNICEF/Desjardins

Dois meninos em assentamento em Ituri, na República Democrática do Congo

A agência destaca que tanto os deslocados internos como a população local estão sendo atacados em suas casas. O pedido feito às partes é que garantam o acesso humanitário aos locais para a entrega de assistência essencial. 

A semana passada começou com uma incursão de milícias a Drodro e Tché, que albergam deslocados. As autoridades confirmaram 44 mortes em Drodro e a destruição de mais de 1,2 mil abrigos. Quase um milhar foram destruídos em Tché. 

Segurança  

Cerca de 20 mil habitantes fugiram para a região de Rhoe em busca de segurança perto da base militar da Missão das Nações Unidas na RD Congo, Monusco. 

As pessoas protegidas no sítio dobraram para mais de 40,5 mil em menos de 48 horas, forçando os recém-chegados a dormir ao ar livre. Entre as principais necessidades estão alimentação, abrigo, cuidados de saúde e ajuda psicossocial. 

Violência entre diferentes grupos étnicos assola a província congolesa de Ituri desde 2017

Unicef/MADJIANGAR

Violência entre diferentes grupos étnicos assola a província congolesa de Ituri desde 2017

Ainda no leste do país, um grupo armado atacou um acampamento de deslocados em Mikenge, em Kivu do Sul na semana anterior. Seis crianças e uma mulher grávida morreram e oito ficaram feridas por facões e balas. Os habitantes fugiram e seus abrigos foram destruídos. 

Roubo de gado  

Uma das motivações para estes atos são tensões entre as comunidades. O problema agrava a qualidade de vida dos deslocados internos porque as incursões são acompanhadas por roubo de gado piorando a já frágil realidade econômica. 

A violência aumenta a angústia e o medo de pessoas que já tiveram que fugir várias vezes de suas casas. Cerca de 5,6 milhões de congoleses vivem nessa situação, 400 mil a mais em comparação ao início de 2021. 

  


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