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ONU defende ajustes para reduzir custos e danos causados por mudança climática  

Um novo relatório a Agência das Nações Unidas para o Meio Ambiente, Pnuma, afirma que os países devem aumentar, com urgência, suas ações para se adaptar à mudança climática ou enfrentar sérios custos, danos e perdas desta nova realidade. 

Adaptação é um pilar fundamental do Acordo de Paris sobre o tema, que pede planos nacionais, sistemas de informação, alerta precoce, medidas de proteção e investimentos num futuro menos poluente. 

Diferença 

Pavilhão na Escola 25 de Junho, em Moçambique, construído para resistir a eventos climáticos, ONU/Eskinder Debebe

O Relatório de Lacunas de Adaptação do Pnuma destaca brechas enormes no financiamento dos países em desenvolvimento. Também aponta atrasos em projetos que podem fazer a diferença na proteção contra eventos como secas, enchentes e aumento do nível do mar. 

O documento recomenda o aumento urgente do financiamento público e privado além de uma implementação mais rápida que priorize soluções baseadas na natureza. 

A diretora executiva do Pnuma, Inger Andersen, as mudanças climáticas “se intensificarão e atingirão os países e comunidades vulneráveis ​​com mais força, mesmo cumprindo as metas do Acordo de Paris.” 

Financiamento 

Andersen destacou o apelo do secretário-geral para que metade de todo o financiamento climático global tenha como destino a adaptação no próximo ano. 

Segundo ela, isso pode avançar desde sistemas de alerta precoce a recursos hídricos resilientes e soluções baseadas na natureza.  

O relatório afirma que 72% dos países adotaram pelo menos um instrumento de planejamento de adaptação em nível nacional. A maioria das nações em desenvolvimento prepara Planos Nacionais de Adaptação, mas o financiamento desses planos é insuficiente. Apesar do aumento no ritmo do financiamento, os custos se multiplicam mais rápido. 

Nesse momento, os países em desenvolvimento precisariam de US$ 70 bilhões, mas esta quantia pode dobrar ou mais que quadruplicar até 2030. Já para 2050, esses mesmos custos poderiam atingir 500 bilhões. 

Inger Andersen alertou para falta de financiamento, Pnuma/Cyril Villemain

Sinais de esperança 

Mas o relatório do Pnuma também sinaliza algumas esperanças. O Fundo Climático Verde, por exemplo, alocou 40% de sua carteira total para adaptação e atrai, cada vez mais, investimentos do setor privado. 

Desde 2006, cerca de 400 projetos foram financiados por fundos multilaterais em países em desenvolvimento. Desde 2017, eles mais que duplicaram em valor ultrapassando a casa de US$ 25 milhões. 

Dentre as 1,7 mil iniciativas pesquisadas, apenas 3% representavam reduções reais dos riscos para as comunidades onde estavam inseridas.  

Natureza  

O relatório destaca ainda a urgência de soluções baseadas na natureza por serem opções de baixo custo, restaurarem e protegerem a biodiversidade com benefícios para comunidades e economias. 

Uma análise dos quatro principais fundos de clima e desenvolvimento concluiu que esse apoio aumentou nas últimas duas décadas. 

A redução das emissões de gases de efeito estufa diminuirá os impactos e custos associados às mudanças climáticas. Alcançar a meta de 2° C do Acordo de Paris pode limitar as perdas no crescimento anual em até 1,6%. 

Embora se espere que a pandemia Covid-19 atinja a capacidade dos países de se adaptarem às mudanças climáticas, o relatório afirma que investir na adaptação é uma boa decisão econômica. 


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