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ONU expressa preocupação com a violência em Jerusalém Oriental

O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, e outros altos funcionários da organização expressaram a sua profunda preocupação com os confrontos entre palestinianos e as forças de segurança israelitas, que ocorreu passada sexta-feira até à noite de domingo, em Jerusalém Oriental. Várias crianças palestinianas foram feridas.

A violência de sexta-feira foi descrita como um dos piores momentos na história recente de Jerusalém. Cerca de 200 palestinianos e 17 policias israelitas foram feridos em confrontos em Haram Al-Sharif/Monte do Templo. No sábado, os manifestantes alegadamente atiraram pedras à polícia, que respondeu com granadas de atordoamento, balas de borracha e canhões de água. No domingo, estes confrontos continuaram em Jerusalém Oriental, em antecipação de uma marcha planeada por um grupo israelita pela Cidade Velha.

O porta-voz de Guterres, Stéphane Dujarric, declarou num comunicado publicado na noite de domingo, que as autoridades israelitas devem exercer máxima contenção e respeitar o direito à liberdade de reunião pacífica.

“Todos os líderes têm a responsabilidade de agir contra extremistas e de se pronunciar contra todos os atos de violência e incitamento à mesma”, prossegue o comunicado. “O secretário-geral reafirma o seu compromisso, inclusive por meio do Quarteto do Oriente Médio, de apoiar palestinianos e israelitas na resolução deste conflito, tendo por base as resoluções pertinentes das Nações Unidas, o direito internacional e os acordos bilaterais”.

Os enviados do Quarteto do Oriente Médio (da União Europeia, Rússia, Estados Unidos e Nações Unidas), divulgaram, no sábado, um comunicado de imprensa no qual expressam a sua preocupação com “as declarações provocativas de alguns grupos políticos, bem como o lançamento de misseis e a retomada do uso de balões incendiários de Gaza em direção a Israel, e os ataques a quintas palestinianas na Cisjordânia”.

Risco iminente de despejo

Os representantes do Quarteto declararam a sua preocupação com os possíveis despejos de famílias palestinianas, que vivem há várias gerações em dois bairros de Jerusalém Oriental – Sheikh Jarrah e Silwan – e a sua oposição a “ações unilaterais, que irão apenas agravar o ambiente já tenso”.

A ONU apelou ao governo israelita para suspender todos os despejos forçados. Na quinta-feira, o porta-voz do Escritório do Alto-Comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos (ACNUDH), Rupert Colville, alertou que se estes despejos ocorrerem, no caso Sheikh Jarrah, violarão as obrigações de Israel perante o direito internacional.

Os confrontos de sábado, o dia mais sagrado do mês muçulmano do Ramadão, ocorreram em Laylat-al-Qadr após um grande número de fiéis se ter reunido para orar no complexo de Haram Al-Sharif/Monte do Templo. Os Enviados do Quarteto exortaram as autoridades israelitas a exercer moderação e a evitar medidas que agravassem ainda mais a situação durante este período de dias santos muçulmanos. “Apelamos a todas as partes envolvidas que defendam e respeitem o estatuto dos locais sagrados”, declararam.

A declaração foi concluída com uma reafirmação dos Enviados do Quarteto do seu compromisso com uma solução negociada entre os dois Estados.

37 crianças palestinianas feridas e presas

No domingo, o Fundo das Nações Unidas para a Infância, UNICEF, apelou às autoridades israelitas para evitarem o uso de violência contra crianças e à libertação de todas as crianças detidas.

Numa declaração conjunta, o diretor regional do UNICEF para o Oriente Médio e Norte da África, Ted Chaiban, e a representante especial da UNICEF no Estado da Palestina, Lucia Elmi, afirmaram que 29 crianças palestinianas foram feridas nos últimos dois dias, e mais de 8 foram presas. “Uma criança de um ano estava entre os feridos. Algumas crianças foram levadas para hospitais com ferimentos na cabeça e na coluna. Quase 300 pessoas ficaram feridas na região”.

Os altos funcionários do UNICEF declararam que a agência recebeu relatos de ambulâncias impedidas de chegar ao local para ajudar e evacuar os feridos, e que uma clínica no local teria sido atingida e revistada.

A declaração pede que todas as crianças sejam protegidas da violência e mantidas fora de perigo em todos os momentos, que os direitos das famílias de aceder a todos os locais de culto sejam preservados e que os feridos sejam assistidos sem restrições.


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